
Mais de 9 milhões de empresas utilizam inteligência artificial (IA) no Brasil, desse total, 2 milhões começaram a jornada no ano passado. Esses dados, que chegam a surpreender, apontam que, atualmente, 40% das empresas brasileiras já utilizam IA para alguma função, desde questões mais básicas até para promover mudanças no modelo de negócio. As informações são de um estudo realizado pela Strand Partners, a pedido da AWS. Para a pesquisa, foram ouvidas mil empresas e mil pessoas do público geral.
“A taxa de adoção no Brasil é superior à de outros países na América Latina e se equipara à utilização na Europa. Brasil entra no contexto de ter a tecnologia como diferencial para o cliente”, avaliou Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, ao apresentar a pesquisa para jornalistas e analistas de mercado durante o AWS Summit, em São Paulo.
O executivo ressaltou que os números apontam que, no ano passado, a cada minuto 3 empresas adotaram IA para alguma necessidade de negócio, o que, na visão de Morais, foi um investimento em diferencial competitivo. Os números do levantamento mostram uma aceleração na adoção de inteligência artificial no País, pese a existência de críticas sobre os resultados que a tecnologia tem entregado para negócios diversos.
Importância dos dados
Bons projetos de IA dependem muito da disponibilidade de dados, da qualidade desses dados e também da governança que rege essa informação. Além disso, diferente do que muitas organizações fizeram em anos recentes, os melhores resultados com IA surgiram após identificação de problemas de negócio, análise desses problemas e, depois, entender qual tecnologia fazia sentido para sua solução. Estratégia pura.
Isso não significa, no entanto, que não seja importante experimentar, testar, tatear e compreender melhor o potencial da tecnologia. Os dados dessa pesquisa, aliás, apontam para esse caminho. Das mais de 9 milhões de empresas que utilizam IA como aponta o estudo, 62% ainda o fazem com questões básicas, interagindo com chatbots, soluções de agendamento, entre outras; 26% já possui integrações com diversas funções e conseguem, de alguma maneira, acelerar a jornada de inovação, enquanto 12% conseguem extrair todo o potencial da ferramenta e aplicar a tecnologia para novos modelos de negócio.
O caso do iFood

Nesse topo, é possível destacar, por exemplo, o iFood. Como comentou Diego Barreto, sócio e CEO da empresa, existe uma jornada tecnológica interna voltada à IA que mescla desenvolvimento de modelos próprios e uso de modelos externos que tem contribuído para outras frentes de negócio, como a de fintech. Mensalmente, o iFood já empresta mais de R$ 160 milhões para restaurantes e a concessão de crédito é puramente baseada em inteligência de dados e IA.
“Quando a empresa começou a ficar importante, começamos a construir nossos modelos proprietários de IA. Qualquer solução linear não funciona. Por muito tempo ouvimos: por que o iFood liderou? O povo de fora tenta e não toma liderança. O motivo é esse tipo de investimento. Se eu não resolvo esse problema de fluxo, que entende logica do contexto atual, eu explodo a operação do restaurante”, ressaltou Barreto.
Como explicou o executivo, o modelo de IA desenvolvido e utilizado no dia a dia da empresa, entende a capacidade de o restaurante performar a cozinha dele; se perde performance, ele sai do radar do cliente. “Com isso, preservo restaurante, cliente e o entregador, que não fica esperando. Modelos de IA permitem esse tipo de ajuste. E temos necessidade de plataformas que permitam escala rápida e isso fazemos com a AWS”, completou. Atualmente, o iFood possui 190 modelos proprietários de IA e 200 externos que são plugados à estrutura da empresa. Além disso, eles contam com 5 mil engenheiros e cientistas de dados no time.
Startups e barreiras
Voltando à pesquisa realizada pela Strand Partners, foi realizado um recorte com startups e, sem grandes surpresas, o porcentual de uso foi superior ao geral: 53%, sendo que 28% o fazem no centro do negócio e 29% de maneira avançada, contra os 12% do grupo geral. Para Morais, o dado reflete a transformação que aconteceu no Brasil nos últimos anos, com muita coisa sendo impulsionada por startups.
“Elas foram as primeiras com suas jornadas em nuvem, começaram criar inovação por meio da tecnologia e aceleraram como empresas tradicionais. A as grandes empresas passaram a precisar (dessas inovações) em suas rotinas. Acelerar através da tecnologia é importante e o Brasil tem feito diferença e pode fazer diferença nesse cenário”, avaliou o diretor-geral da AWS.
Outro ponto importante mapeado pela pesquisa foram as barreiras ainda existentes para adoção e uso avançado da inteligência artificial nas empresas. Os três principais foram: falta de habilidades digitais (46% das empresas); conformidade regulatória, sendo que 81% das empresas ouvidas acreditam que custo regulatório aumentará; e custo (40%).
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