
O avanço da inteligência artificial no ambiente corporativo vem ganhando força com propósito de aumentar a produtividade, automatizando tarefas e apoiando decisões em escala. Mas, em paralelo, o cenário de ameaças digitais entra no radar com intensidade. A Kaspersky detecta quase 467 mil novos arquivos maliciosos por dia, número que evidencia a sofisticação crescente dos ataques e pressiona equipes de segurança a reforçar controles antes que brechas comprometam operações críticas.
A adoção acelerada de plataformas abertas de IA generativa tem ampliado a superfície de risco. Em busca de eficiência, muitos funcionários inserem nelas documentos internos, relatórios sensíveis e bases corporativas, sem considerar que esses sistemas não oferecem garantias plenas de privacidade. O alerta foi reforçado por Claudio Martinelli, diretor-geral da Kaspersky para as Américas, ao destacar que o uso indiscriminado da tecnologia pode levar a vazamentos em massa.
Dados confidenciais expostos
Em comunicado, Martinelli explicou que “o receio das empresas está relacionado ao uso que alguns funcionários fazem de plataformas de IA Generativa, compartilhando nelas dados confidenciais. Ou seja, usam inteligência artificial sem inteligência humana. Não se trata de delegar tudo a uma ferramenta, mas de entender os riscos, cuidar da confidencialidade e treinar os colaboradores para que saibam como usar a IA de forma segura”.
O tema ganhou ainda mais relevância após a identificação de casos em que sistemas de IA generativa indexaram conversas privadas em mecanismos de busca, expondo conteúdos íntimos (incluindo informações sobre saúde mental) e demonstrando que interações feitas por funcionários também podem ser registradas e acessadas publicamente. Para empresas que lidam com dados estratégicos, a possibilidade de que consultas internas acabem disponibilizadas na web representa um risco direto à integridade operacional.
Adoção responsável da tecnologia
Diante desse cenário, a Kaspersky reforça que desenvolver e implantar sistemas de IA com segurança exige uma abordagem estruturada. As principais recomendações da empresa passam por treinamento contínuo em cibersegurança para capacitar colaboradores em todos os níveis, aplicação de configurações robustas para segurança de infraestrutura e nuvem, testes e validação recorrentes de modelos de IA, além de adoção de padrões internacionais para fortalecer conformidade e credibilidade junto a clientes e investidores.
Na avaliação da empresa, o cenário deixa claro que a IA não pode ser dissociada da segurança digital. À medida que organizações ampliam o uso de agentes inteligentes, a proteção dos fluxos de informação precisa estar na estratégia desde o início. Esse alinhamento é determinante para mitigar riscos, evitar vazamentos em escala e garantir estabilidade em um ambiente onde o volume de ataques cresce diariamente.






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