Setor automotivo IA
Foto: KP Yamu Jayanath/Pixabay

A 25ª edição da Global Automotive Executive Survey (GAES), da KPMG, mostra que o setor automotivo brasileiro está acelerando sua reinvenção. Segundo o levantamento, 87% dos executivos afirmam estar investindo fortemente em inteligência artificial e tecnologias emergentes, enquanto 17% projetam que seus modelos de negócios, produtos e operações serão completamente transformados nos próximos três anos.

O estudo detalha como as companhias estão reagindo a pressões tecnológicas, geopolíticas e regulatórias, em cenário que já é tratado como ponto disruptivo para a indústria. Um paradoxo também foi observado nas respostas, pois 73% dos líderes acreditam que novos entrantes substituirão fabricantes tradicionais até 2030, mas 70% avaliam que as OEMs (Original Equipment Manufacturer – Fabricantes Originais de Equipamento) ainda podem recuperar o domínio ao reconfigurar suas estratégias.

Para Ricardo Roa, sócio da KPMG, o dado reforça o momento do setor. ele reforçou em comunciado que “a indústria automotiva está em um ponto de inflexão — e poucas empresas estão preparadas. Isso evidencia um imperativo crítico para todo o setor: a transformação deixou de ser opcional, e as empresas precisam abraçar ativamente a disrupção como alavanca para a reinvenção”.

Satisfação do cliente em modelos regionais

As alianças estratégicas aparecem como uma alavanca para o crescimento, onde 90% dos entrevistados dizem que parcerias já contribuem (ou irão contribuir) para ampliar os negócios. Na frente de mercado, 27% apontam a satisfação do cliente como fator essencial para a lucratividade de longo prazo. A cadeia de suprimentos também passa por reconfiguração: 73% dos executivos estão priorizando modelos regionais ou produção local para consumo local, um movimento que vem sendo acelerado por conflitos geopolíticos, novas regulações e vulnerabilidades logísticas.

“Além disso, com a mudança das preferências dos consumidores em direção à eletrificação e à digitalização, as montadoras enfrentam uma pressão crescente para inovar em uma velocidade e escala que desafiam as formas tradicionais de operação”, afirma Roa.

A pesquisa destaca ainda fatores que devem dominar a próxima década no setor, como a redefinição da escala e valor; a estruturação de ecossistemas antes que concorrentes o façam; o fortalecimento do controle da estratégia digital; a implementação de estratégias de resiliência regional e a criação de mecanismos de relacionamento com o cliente em tempo real e orientados por dados.

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