
A Sabesp está modernizando o monitoramento das redes de esgoto na capital paulista com a adoção de sensores inteligentes, modelagem hidráulica e plataformas digitais. A iniciativa, que integra dados de nível, vazão, chuva, qualidade da água e indicadores ambientais com apoio de inteligência artificial, permite acompanhar em tempo real o comportamento das tubulações e antecipar anomalias.
Este tipo de abordagem já vem sendo tratada como prioridade em operações críticas de saneamento. Os sensores instalados nos poços de visita enviam medições contínuas à central de monitoramento, onde algoritmos analisam padrões e sinalizam riscos como entupimentos, extravasamentos ou perda de capacidade. Ao acender um alerta no mapa operacional, equipes são acionadas automaticamente para intervenções preventivas, reduzindo impactos ambientais e evitando transtornos à população. Atualmente, 315 sensores operam em bairros como Santana, Jardins, Mooca e Ipiranga; outros mil serão instalados em dezembro, expandindo a cobertura para mais de 150 bairros.
Tecnologia amplia prevenção
A tecnologia já mostra resultados. No Centro, a plataforma de gêmeos digitais SewerSight ajudou a antecipar ocorrências em 36,3 mil ligações de esgoto, beneficiando mais de 200 mil moradores. Em Santana, o monitoramento com inteligência artificial permitiu 251 vistorias e sete ocorrências solucionadas de forma preventiva. Segundo nota de Maycon Abreu, diretor regional Centro da Sabesp, o sistema “traz mais inteligência, precisão e rapidez ao trabalho das equipes, reduzindo riscos à população e impactos ambientais. Com essa tecnologia, conseguimos agir antes do problema acontecer. É uma tecnologia que permite detectar situações críticas com antecedência, reduzindo riscos de problemas como vazamentos e garantindo mais eficiência às operações”.
O monitoramento também protege córregos ao cruzar níveis de esgoto com indicadores de qualidade da água, como DBO e DQO, que funcionam como termômetros da saúde dos corpos hídricos. O diretor regional Norte da Sabesp, Cesar Ridolpho, ressaltou também em nota a ação preventiva. “O sistema da Sabesp que transporta o esgoto para as estações de tratamento contribui para a qualidade da água de nossos córregos e rios. Com o monitoramento, nossas equipes podem atuar antes que algum entupimento prejudique essa operação, seja por algum lançamento indevido de materiais nas redes, seja por necessidade de manutenção corretiva”, explica Ridolpho.
Apesar dos avanços, práticas inadequadas seguem pressionando a rede. Entre as principais causas de obstrução estão descarte de lixo sólido como panos e fraldas, óleo de cozinha em pias, ligações irregulares de água de chuva e resíduos de obra lançados na tubulação. A Sabesp reforça que a prevenção também depende do uso correto da infraestrutura para evitar retornos de esgoto e episódios de poluição.






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