
Os resultados regionais da Pesquisa Global de Gestão de Riscos 2025, da Aon, mostram um cenário de risco excepcionalmente complexo na América Latina. Segundo o levantamento, pressões econômicas, instabilidade política, vulnerabilidade climática e imprevisibilidade regulatória seguem entrelaçadas, impactando tanto operações do dia a dia quanto a competitividade de longo prazo.
A interrupção dos negócios permanece como principal ameaça, puxada por crises geopolíticas, eventos climáticos extremos e fragilidades na infraestrutura e nas cadeias logísticas que sustentam setores exportadores de países como Brasil, Argentina, Chile e México. O estudo aponta que empresas da região já ampliam esforços para diversificar fornecedores, reforçar visibilidade da cadeia de suprimentos e adotar planos robustos de continuidade, além de contratar seguros de contingência para mitigar perdas decorrentes de paralisações.
Natália Char, head de Commercial Risk para a América Latina na Aon, apontou em nota para uma nova realidade: “a volatilidade e a incerteza são agora constantes para as empresas. Antes, a resiliência consistia em sobreviver as ameaças e seus impactos. Agora, trata-se de aproveitá-las para fortalecer a competitividade. As organizações latino-americanas que repensarem sua gestão de riscos serão as que liderarão”.
Política, cibersegurança e clima
Mudanças regulatórias (o segundo maior risco do ranking) se tornam mais relevantes diante da volatilidade política, exigindo planejamento de cenários e revisão de estratégias de investimento. Já os ataques cibernéticos, hoje terceiro maior risco, assumem a liderança entre as ameaças futuras, impulsionados pela rápida digitalização e pela adoção de inteligência artificial, que amplia a superfície de ataque. Apenas 15% das organizações latino-americanas, no entanto, quantificam sua exposição ao risco cibernético.
No horizonte até 2028, as empresas se preparam para um ambiente ainda mais volátil, marcado por digitalização acelerada, mudanças climáticas e competição crescente. A lista de riscos futuros evidencia essa transição, com destaque para ataques cibernéticos, concorrência mais agressiva, volatilidade de preços de insumos e novos ciclos regulatórios.
Na pauta climática, 80% dos entrevistados relataram perdas econômicas associadas a eventos meteorológicos nos 12 meses anteriores. Para fazer frente a este risco, a empresas estão investindo em infraestrutura resiliente, sistemas de alerta precoce, modelagem climática e seguros paramétricos que acelerem a recuperação pós-desastre.
Gestão integrada de riscos
Repensar a governança de riscos será um diferencial, segundo Natália. “Para enfrentar o panorama de ameaças presentes e futuras na América Latina, as empresas devem adotar uma abordagem proativa e integrada na gestão de riscos. As condições voláteis e mutáveis oferecem a oportunidade de transformar o risco em resiliência. Ao repensar sua abordagem e investir em novas estratégias, elas podem proteger suas organizações e abrir novos caminhos para o crescimento”, explicou a executiva.
A pesquisa, que reúne cerca de 3 mil respostas de 63 países, também mostra que apenas 14% acompanham sua exposição aos dez principais riscos e somente 19% utilizam análise de dados para avaliar programas de seguros, sinalizando uma lacuna estratégica que deve ganhar força nos próximos anos.






Sem comentários registrados