Fábrica e IA Distribuída
Foto: Jordan Harrison/Unsplash

O SoberanIA, iniciativa brasileira dedicada ao desenvolvimento de inteligência artificial nacional, entrou oficialmente em uma nova fase de autonomia tecnológica do país. Após consolidar modelos soberanos já em operação via API, o projeto avança para a implantação da infraestrutura física de IA mais segura e moderna da América Latina, inaugurando a primeira Fábrica de IA Distribuída da região. O anúncio foi feito durante o Encontro Nacional de IA Soberana, em Brasília, reunindo governo, academia e setor privado em torno de uma política de Estado.

A aliança estratégica envolve o Governo do Piauí, o MCTI, a Telebras e as empresas Modular e Scala Data Centers, articulando uma arquitetura que une software, hardware, dados e data centers em uma nuvem soberana. A promessa é garantir que governos, instituições de pesquisa e empresas tenham acesso a modelos e datasets nacionais, sustentados por infraestrutura digital 100% brasileira e alinhada às melhores práticas de sustentabilidade e segurança.

O governador do Piauí, Rafael Fonteles, destacou em comunicado que “a primeira fase do SoberanIA provou que o Brasil tem a competência para organizar dados e criar o software. Agora, estamos construindo a infraestrutura. Não estamos apenas contratando um serviço; estamos nacionalizando a capacidade de processamento. Esta infraestrutura é um ativo de segurança nacional que servirá a todos os estados, garantindo que nossos dados e nossa inteligência permaneçam sob comando brasileiro”.

Ecossistema distribuído

A iniciativa já vem mostrado bons resultados. O SoberanIA construiu a maior base de dados comercialmente governada em língua portuguesa do mundo, ampliada de 130 bilhões para 350 bilhões de tokens, e impulsiona soluções como o Piauí Oportunidades e o BO Fácil, que digitalizam serviços públicos com IA generativa treinada em dados nacionais. Com o lançamento da plataforma, gestores públicos de todo o país passam a ter acesso a modelos prontos para uso, capazes de modernizar atendimento e fortalecer a gestão interna.

A nova fase estrutura uma Fábrica de IA composta por núcleos distribuídos de processamento de alta capacidade. A Fábrica de IA do Piauí fica responsável pelo treinamento e refinamento dos modelos brasileiros, utilizando energia limpa para converter dados em inteligência. O Cofre de Dados, instalado em Brasília em um data center Tier IV operado pela Telebras, que garante a guarda soberana das bases estratégicas sob rígidos protocolos de segurança física e cibernética. Já o Distrito Soberano, no Sul do país, é dedicado à operação de GPUs em larga escala, treinamento contínuo e cargas de inferência para serviços públicos.

A arquitetura distribuída será ampliada com novos nós estaduais, transformando estruturas de processamento locais em polos regionais de computação avançada. O desenho busca reforçar resiliência, capilaridade e inovação, além de proteger o ecossistema contra riscos geopolíticos e interrupções externas.

Energia limpa e produção local

O projeto também se ancora em uma estratégia industrial. A Scala Data Centers liderará a concepção técnica da infraestrutura hyperscale com 100% de energia renovável, disponibilizando 500 MW para o SoberanIA em Eldorado do Sul/RS. Já a Modular Data Centers será responsável pela fabricação de componentes customizados e lançará, em 2026, um centro de nacionalização de equipamentos críticos, apoiado pelo BNDES.

Para o secretário do MDIC, Uallace Moreira Lima, a agenda se conecta diretamente ao programa Nova Indústria Brasil (NIB) e ao PBIA. “Ao reduzir nossa dependência tecnológica e fomentar conteúdo local de alta complexidade, garantimos capacidade produtiva em setores estratégicos e soberania real para o futuro do país”, explicou em comunicado.

Com software, hardware, infraestrutura, dados e propriedade intelectual sob gestão brasileira, o SoberanIA pode colocar o país entre as poucas nações capazes de desenvolver, armazenar e operar IA em escala industrial. Nas próximas semanas, será anunciado o parceiro tecnológico responsável pela instalação da infraestrutura computacional e o cronograma final de implementação, etapa que consolida o terceiro ciclo do projeto.

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