Wagner Hiendlmayer, CEO e fundador da integradora de tecnologia Heimr está animado com 2026 e não teme o que muita gente no mercado tem chamado de bolha de inteligência artificial. Para o executivo, o momento não deveria ser comparado a uma bolha em si, mas ele entende que haverá uma acomodação e que tal movimento será benéfico ao mercado. 

Na conversa com o Coletivo Tech, o executivo explicou o porquê de manter a Heimr como uma empresa boutique, discutiu a importância da governança em IA e contou dos planos para o próximo ano, que prevê mais expansão geográfica e de portfólio. A seguir, você confere os principais momentos da conversa.

Por que a opção por ser boutique?

“Somos boutique por escolha, foi algo pensado muito por conta das reclamações que ouvimos dos clientes no mercado. Você entra em uma escala e fica no processo de atendimento e a reclamação volta: ‘tenho demanda específica e ninguém olha para o meu negócio’. Nós preenchemos essa lacuna, temos no corpo técnico e executivo profissionais que viveram essas empresas (big techs e grandes consultorias). O que construímos foi o seguinte: entendemos que vamos sacrificar a escala e tudo bem, mas vamos olhar e exercitar na prática o discurso de olhar para o negócio do cliente. Fazemos isso de verdade e isso demanda mais do time, é mais difícil, mas resultado e troca com cliente é extraordinário. 

Eu atendo no mesmo nível técnico das grandes, mas a relação é com o dono, entendem processos da empresa. Fazemos deepdive de verdade, investimos tempo nisso e tiramos solução sob medida para ele.”

IA sem governança de dados…

“Se olharmos para IA hoje e compararmos com os projetos de dados de 14 anos atrás, é o mesmo problema, queriam dashboard e não tinham governança de dados. Tem muitas camadas de governança que são preocupantes. Questões regulatórias, algumas muito rígidas de mercados específicos, e isso é desafiador, porque temos operações em quase todo o mundo. 

Não tem IA sem infraestrutura e sem dado. E se fizer sem segurança, não é se, mas quando será problema. Não se conversa isoladamente sobre único assunto. E por isso temos tido sucesso, quando olhamos para problemas dos clientes cobrimos todas os assuntos e todas as camadas. 

Me sentei com vários C-levels e vários disseram que sem projeto de IA perderiam emprego. Mas 95% dos projetos não trazem ROI, como mostra o MIT, e isso não é surpresa pela forma como estão contratando IA. Primeiro se identifica problema, entende se tem escala e aí pode ter um projeto de IA que funcionará bem se tiver base de dados boa. 

Temos muitas multinacionais como clientes, enfrentamos problemas para acessar dados e fazer o learning da IA, fica complexo processar dados europeus e entregar no Brasil, por exemplo. Empresas sem estrutura de dados adequado tentando fazer IA generativa funcionar é mais comum do que se imagina. A grande diferença de 15 anos atrás, quando a construção de um data warehouse era muito complexa, é que a tecnologia mudou muito e hoje usa fabric, consome dados no local, tem garantias de que não terá grandes overloads.” 

Tem bolha na IA?

“Não tem bolha, mas pode ter ajuste no modelo de negócio e é bom para quem vende, sustenta e quem usa, teremos metodologia para usar tudo isso. Passaremos a ter critério para entender onde vale a pena. Esse é o resultado de uma eventual bolha. Não acho que seja exatamente uma bolha, mas me preocupo com tamanho do investimento em todos os níveis, sem critério, dos próprios fabricantes, nos perguntamos como a OpenAI pagará as contas e ser empresa viável, é uma análise que faço de forma constante e junto com o time até para pautar decisões do que usaremos agora. Se acreditarmos na bolha e que deixaremos de ter à disposição o modelo comercial atual da OpenAI, e vai custar 100X mais em breve, o que faremos com os clientes onde implantamos? Quanto custará migrar para outra? 

Se tem um plano B pronto e o cliente consciente dos movimentos, no final, dá tudo certo. Acredito que a discussão é saudável, tinha muito projeto sem planejamento e era ruim para todos. Agora separamos o ‘tenho que ter IA’ para ‘vamos resolver problemas em escala com soluções que funcionem e gerem retorno’. Tem mudança no mercado de trabalho, profissões novas. Se falássemos anos atrás que teríamos IA mas também um profissional para fazer as perguntas (prompt), todos iriam rir e está aí.” 

Planos para 2026

“Preciso fazer expansão geográfica, estamos em São Paulo e em Londres, preciso ponto de presença em Américas. No primeiro semestre de 2026 deveremos chegar em Cidade do México, Bogotá e Buenos Aires e isso é importante para reforçar estrutura que já temos e sustentar operações que já temos, mas sem ponto de presença. Essa expansão é necessária para estar mais próximo do cliente. Temos clientes multinacionais e facilita essa estrutura perto dos demais escritórios. Esse trabalho vai se estender até todas as contratações (de pessoas para os novos escritórios) estiverem feitas. 

Outro aspecto é revisão de portfólio, trabalhamos com assuntos complexos, que se conversam, mas tenho meu limite enquanto boutique. Temos time agnóstico e em termos de imagem pode ser dolorido, mas é importante. Em projetos de IA trabalhamos com todas as marcas e o time é proficiente em todas, em infraestrutura, estamos com todas as nuvens. Mas quando olha visão de mercado ainda estamos muito conectados com IBM. É bom, somos gratos por isso, vamos continuar trabalhando com IBM, mas precisamos ajustar imagem para o que fazemos que é trabalhar com maiores fabricantes. Se eu não trabalhar com diversas marcas, não ofereço a melhor solução, mas a solução que tenho.”

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