* Andrea Fodor, CEO da Hitachi Vantara Brasil

Se há uma década dizíamos que os dados eram o “novo petróleo”, hoje, às portas de 2026, eu diria que essa analogia já não basta. O óleo bruto, por si só, não move um carro autônomo, por exemplo. Na minha experiência observando esse mercado nos últimos anos, percebo que deixamos a era do acúmulo para entrar na era da ativação.

O ano de 2025 foi emblemático nesse sentido. Vimos empresas correrem para adotar IA, apenas para descobrirem que seus alicerces digitais não aguentavam o peso da inovação. Segundo o relatório Global State of Data Infrastructure da Hitachi Vantara, cerca de 75% das empresas entrevistadas afirmaram que sua infraestrutura atual não conseguiria escalar para atender às demandas futuras, e mais de 74% dos líderes se sentiram sobrecarregados pelo volume de dados.

Olhando para 2026, vejo um cenário no qual a maturidade tecnológica deixará de ser opcional. Com base no que tenho acompanhado e nas conversas com outros líderes do setor, identifico três tendências que definirão quem lidera e quem fica para trás.

1. Dados emergem como o principal ativo competitivo

Penso que estamos vivendo uma “comoditização” da Inteligência Artificial. Modelos de IA estão acessíveis a todos, o que nivela o campo de jogo tecnológico. A pergunta que fica é: onde estará a vantagem competitiva se todos usam os mesmos algoritmos? A resposta está nos dados proprietários.

A forma como as empresas controlam, gerenciam e utilizam dados de alta qualidade criará esta diferenciação. As organizações são inundadas por volumes massivos de informação, que alimentam esses modelos, mas é o dado limpo, com governança e exclusivo que refinará a IA para o contexto do negócio.

Na minha visão, em 2026, as empresas focarão em ativar esses dados na borda, no núcleo e na nuvem. Aquelas que construírem bases de dados confiáveis liderarão a inovação. Concordo com o que o mercado vem constatando de que os dados se tornarão o diferencial definitivo. Quem conseguir conectar e governar seus dados tomará decisões mais inteligentes, rompendo com práticas tradicionais lentas.

2. O ROI da IA Generativa e o fim dos pilotos eternos

Aqui toco em um ponto sensível. Um relatório do MIT constatou que 95% dos projetos-piloto de IA generativa não geram retorno sobre o investimento (ROI). Isso é alarmante, mas não surpreendente. Acredito que muitas empresas colocaram o carro na frente dos bois, investindo na tecnologia antes de definir o problema de negócio.

Para 2026, as empresas precisarão repensar sua abordagem. A identificação do resultado buscado guiará a coleta e o processamento de dados, permitindo descartar ruído (e custos) desnecessários. O sucesso virá para quem trabalhar com parceiros confiáveis para identificar resultados de negócios antes de decidir qualquer compra. Os tempos de experimentação sem fim acabaram, agora é a era queremos resultado.

3. A mudança do “Rico em GPU” para o “Correto em I/O”

Por fim, uma tendência técnica que terá impacto financeiro direto. A indústria está percebendo que o gargalo está mudando da computação para o movimento de dados. Não se trata mais apenas de quantas execuções de GPU você consegue fazer por segundo, mas de manter o fluxo de dados alto o suficiente para que elas nunca fiquem ociosas.

Eu chamo isso de “seguro contra a inanição da GPU”. Se os dados não chegam aos modelos rápido o suficiente, o desempenho trava e o investimento vira custo. Empresas e fornecedores priorizarão o controle de latência e jitter, garantindo que a topologia da infraestrutura esteja a serviço da velocidade do dado.

4. O imperativo da confiança e da estratégia

O ano de 2026 não será sobre quem tem mais dados, mas sobre quem confia mais neles. Será o ano em que a infraestrutura deixará de ser um centro de custo para ser reconhecida como o alicerce da estratégia de negócios. Na minha opinião, quem entender que a resiliência, a qualidade do dado e a arquitetura correta são inegociáveis sobreviverá e prosperará na próxima década.

*Andrea Fodor é CEO da Hitachi Vantara Brasil

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