
Um novo relatório do Fórum Econômico Mundial traz uma abordagem ampla sobre o futuro do trabalho na próxima década. O estudo “Four Futures for Jobs in the New Economy: AI and Talent in 2030” mapeia quatro cenários possíveis para o mercado de trabalho global a partir da combinação entre o ritmo de avanço da inteligência artificial e o nível de preparo das forças de trabalho, indicando que as decisões tomadas hoje por empresas e governos serão determinantes para evitar rupturas sociais e capturar ganhos de produtividade.
Segundo o levantamento, 54% dos executivos globais acreditam que a IA deve deslocar um grande número de empregos existentes, enquanto apenas 24% esperam a criação significativa de novas vagas. O dado ganha peso diante de outro indicador crítico: só 12% veem potencial da IA para elevar salários, o que reforça o risco de aprofundamento da desigualdade mesmo em cenários de crescimento econômico.
Quatro futuros possíveis para o trabalho
O relatório estrutura sua análise em quatro cenários prospectivos até 2030. No mais otimista, chamado de “Supercharged Progress”, avanços exponenciais da IA combinados com ampla qualificação profissional impulsionam a produtividade e criam novas ocupações, ainda que com forte pressão sobre sistemas de proteção social e governança. No extremo oposto, o cenário “The Age of Displacement” descreve um ambiente de automação acelerada sem preparo da força de trabalho, levando a desemprego estrutural, queda da confiança do consumidor e instabilidade social.
Entre esses polos extremos, está o cenário da “Co-Pilot Economy”, marcada por avanços graduais da IA e foco na colaboração humano-máquina. E por fim na possiblidade chamada “Stalled Progress”, a falta de talentos limita os ganhos tecnológicos e concentra benefícios em poucas empresas e regiões. Em comum, todos os cenários mostram que a tecnologia, isoladamente, não define o futuro do trabalho e estratégias de capital humano entram como parte central da equação.
Produtividade em alta, salários sob pressão
Os dados do relatório indicam que a adoção de IA já saiu da fase experimental. A proporção de empresas que utilizam IA em ao menos uma função saltou de 55% em 2022 para 88% nas estimativas mais recentes. Esse movimento vem acompanhado da expectativa de aumento de margens, uma vez que cerca de 45% dos executivos acreditam que a IA elevará a rentabilidade dos negócios. Em contrapartida, cresce a percepção de concentração de mercado e enfraquecimento do poder de barganha dos trabalhadores, especialmente em funções rotineiras e administrativas.
O estudo também destaca que a demanda por habilidades ligadas à IA cresce em ritmo acelerado. Estimativas citadas no relatório apontam aumento de 70% na procura por competências em IA entre 2024 e 2025, evidenciando um descompasso entre a velocidade tecnológica e a capacidade de requalificação dos sistemas educacionais e corporativos.
Estratégias “sem arrependimento”
Diante desse cenário de incerteza, o Fórum Econômico Mundial defende a adoção de estratégias consideradas sem arrependimento, válidas independentemente do futuro que se concretize. Entre elas estão alinhar tecnologia e talentos, investir em colaboração humano-IA, fortalecer governança e infraestrutura de dados e antecipar necessidades de qualificação para proteger cadeias de valor. Empresas que tratarem IA apenas como ferramenta de eficiência correm o risco de ampliar desigualdades e fragilizar seus próprios modelos de negócio.
Ao colocar a dimensão humana com um papel de maior destaque, o relatório apresenta uma perspectiva importante para lideranças corporativas e formuladores de políticas. O mercado de trabalho de 2030 está sendo desenhado agora, e todos precisamos ficar atentos pois o custo da inação pode ser alto demais para ser ignorado.
O relatório completo (em inglês) está disponível neste link.






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