EY CEO Outlook Pulse
Foto: Tung Lam/Pixabay

As tensões comerciais globais, incluindo tarifas e restrições às exportações, somadas às disrupções tecnológicas e aos riscos na implementação da inteligência artificial foram os desafios mais relevantes para os próximos 12 meses citados na edição mais recente da “CEO Outlook Pulse“, da EY. Os dois fatores lideram o ranking, citados por 44% dos executivos, seguidos por limitações na capacidade de inovação e na infraestrutura (40%) e pelas incertezas macroeconômicas e de mercado, como crédito, juros e inflação (36%).

O estudo também indica uma postura mais estratégica dos líderes empresariais diante do cenário volátil. Segundo nota de Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon, tecnologia e dados já se tornaram prioridade nos planos de investimento, especialmente associados a estratégias de localização e regionalização das cadeias produtivas. “Vale reforçar que por ‘localização’, consideramos táticas de como produzir bens no país onde serão vendidos e por ‘regionalização’, táticas como criar cadeias de suprimentos regionais para atender a um bloco específico”, explicou Berbert. De acordo com a pesquisa, 94% dos CEOs afirmam já ter desenvolvido ou concluído ações nesse sentido.

No campo político e econômico, a incerteza segue como pano de fundo das decisões. Para 46% dos CEOs, esse ambiente instável deve durar entre seis meses e um ano, enquanto 26% projetam impactos por um período mais longo, entre um e três anos.

M&As e alianças ganham força

No Brasil, o movimento de transações corporativas deve avançar mais. Entre os CEOs entrevistados, 100% esperam realizar algum tipo de operação nos próximos 12 meses, como joint ventures, fusões e aquisições (M&A) ou desinvestimentos. As alianças estratégicas lideram as intenções, citadas por 80% dos executivos, seguidas por M&As (60%). IPOs, spin-offs e desinvestimentos aparecem com menor peso (26%).

Segundo Berbert, as joint ventures vêm sendo tratadas como alternativa para acelerar o crescimento com menor desgaste financeiro e operacional. Ele destaca que “muitos líderes veem as parcerias como uma forma de agir rapidamente e acessar novos mercados e/ou tecnologias. Ao contrário das aquisições, as alianças permitem que as empresas compartilhem riscos, reúnam conhecimento especializado e mantenham suas culturas intactas, o que geralmente se traduz em maior agilidade e menos interrupções para funcionários e clientes”.

Transformação de portfólio é prioridade

Para 58% dos CEOs, os investimentos em transformação de portfólio devem aumentar, enquanto 36% pretendem manter o ritmo observado nos últimos anos. O principal ponto dessa estratégia é a busca por aumento de receita ou melhoria de margens (60%), seguida pela captação de recursos via dívida ou empréstimos bancários (19%) e pela entrada de capital de acionistas atuais ou novos (17%). A venda de ativos não essenciais aparece de forma residual (4%).

A motivação para essas mudanças está, sobretudo, na melhora do desempenho financeiro (45%), mas também no foco crescente na criação de valor de longo prazo (17%) e na redução da complexidade organizacional para viabilizar modelos mais ágeis (10%).

O levantamento ouviu 50 CEOs de empresas com faturamento anual mínimo de US$ 250 milhões e que atuam em setores como infraestrutura, bens de consumo, saúde, energia, tecnologia e serviços financeiros no Brasil.

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