Finanças
Foto: Jakub Zerdzicki/Pexels

A mais recente edição da “Tax and Finance Operations Survey“, da EY, indica que dados, inteligência artificial e tecnologia já ocupam uma posição de destaque nas áreas tributária e financeira das empresas, em um contexto marcado por incertezas econômicas, tensões geopolíticas e mudanças relevantes nas políticas fiscais globais. Segundo o estudo, 86% dos líderes de impostos e finanças apontam esses recursos como prioridade estratégica para enfrentar um ambiente regulatório mais complexo.

O levantamento mostra que 81% dos executivos planejam fazer ajustes em seus modelos operacionais nos próximos dois anos, com foco na redistribuição de recursos para atividades de maior valor agregado. Entre as estratégias citadas estão a centralização de tarefas repetitivas em centros de serviços compartilhados (CSCs) e o uso de co-terceirização em partes das operações tributárias, inclusive ao longo da cadeia de suprimentos.

Agilidade fiscal e dados de qualidade

Para Segundino De La Fuente, sócio de impostos da EY Brasil, será crucial a agilidade do modelo operacional fiscal para o sucesso no uso de tecnologia. Em comunicado, o executivo explica que “toda mudança que uma empresa faz tem implicações fiscais e precisa ser cuidadosamente avaliada pelos departamentos tributários e financeiros, que operam na interseção dos dados, riscos e estratégia de suas organizações. Aqueles que inovarem e se reinventarem, pegando carona com o momento da IA vão se destacar”.

Governança fiscal integrada

A pesquisa identifica três frentes prioritárias para as áreas de impostos e finanças. A primeira envolve o uso de dados, IA generativa e tecnologias analíticas para ampliar a automação de relatórios, gerar insights e apoiar análises preditivas. A expectativa é que essas ferramentas elevem a eficiência em até 30% e liberem cerca de 23% do orçamento atualmente comprometido com tarefas operacionais, permitindo um maior direcionamento para iniciativas estratégicas. Ainda assim, a qualidade e a governança das bases de dados fiscais permanecem como um dos principais desafios para escalar o uso da IA.

No campo regulatório, 81% dos entrevistados consideram que a adoção do Pilar II representa a maior mudança legislativa que vai impactar seus negócios, enquanto 85% projetam aumento da carga tributária em função dessas regras. A necessidade de alinhamento rigoroso entre estratégia fiscal, financeira e corporativa aparece como a terceira prioridade do estudo, reforçando o papel das áreas tributárias como parte integrante da formulação estratégica das organizações.

“As empresas precisam, cada vez mais, relatar uma quantidade maior de dados não financeiros para outros fins, incluindo programas de sustentabilidade, que são ainda mais difíceis de obter, gerenciar e estruturar. Para atender a essas demandas, as áreas de impostos e financeira devem integrar os dados de origem de vários sistemas diferentes e estabelecer uma estratégia de dados robusta apoiada por uma estrutura de governança sólida”, pontuou De La Fuente.

Requalificação e migração de funções

O relatório também destaca impactos no mercado de trabalho. Mais da metade dos líderes avalia que a aposentadoria de profissionais seniores e a redução na entrada de novos contadores devem pressionar ainda mais a disponibilidade de talentos. Atualmente, as equipes internas dedicam a maior parte do tempo a atividades rotineiras e de conformidade (53% do tempo), mas a expectativa é reduzir esse percentual e ampliar o foco em funções especializadas e de alto valor, que hoje ocupam apenas 16% da carga horária. Para isso, 89% das empresas vêm investindo na requalificação de profissionais, enquanto 81% afirmam que estão buscando contratar perfis com competências complementares e 62% apostam na redefinição de responsabilidades.

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