Foto: Rupixen/Pixabay

A pesquisa “Futuro do Dinheiro”, da Accenture, mostra que a evolução dos meios de pagamento digitais avança em ritmo acelerado, impulsionada por moedas digitais, novas infraestruturas e agentes baseados em inteligência artificial. O estudo indica que bancos e empresas já reconhecem o potencial dos pagamentos agênticos e das moedas tokenizadas para tornar transações mais eficientes, mas também expõe um descompasso relevante entre a demanda do mercado corporativo e a capacidade atual das instituições financeiras de atender a essas expectativas.

De acordo com o levantamento, 69% das empresas esperam que os bancos ofereçam carteiras de moedas digitais, enquanto apenas 37% das instituições financeiras veem essa demanda como concreta no curto prazo. Em paralelo, cresce o uso de métodos alternativos para pagamentos internacionais, como carteiras digitais, plataformas não bancárias e moedas digitais, incluindo stablecoins, criptomoedas e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Quase 80% dos bancos reconhecem que será necessário um esforço significativo de modernização tecnológica para suportar esse novo ecossistema.

Modernização dos pagamentos

Os pagamentos agênticos, realizados de forma autônoma por sistemas inteligentes, já estão em fase de testes ou implementação em 79% dos bancos entrevistados. Do lado das empresas, 57% acreditam que esse modelo se tornará predominante em até três anos, especialmente em serviços recorrentes, automação de pagamentos a fornecedores, estornos e mecanismos de prevenção a fraudes. Para acompanhar esse movimento, metade das organizações já está revisando seus sistemas para lidar com volumes elevados de transações iniciadas por agentes digitais.

Apesar do avanço, a pesquisa evidencia fragilidades na gestão de risco. A confiança aparece como o principal entrave para a adoção em escala dos pagamentos agênticos, de acordo com 87% das instituições financeiras que responderam a pesquisa, enquanto 78% delas projetam um aumento relevante de fraudes associadas a este novo tipo de pagamento. O dado se torna ainda mais sensível ao considerar que 60% das instituições não contam com planos forenses específicos para investigar esse tipo de ocorrência. O estudo também mostra que a confiança das empresas em big techs para oferecer pagamentos agênticos seguros se aproxima da depositada nos bancos tradicionais, o que coloca uma expectativa maior sobre a competitividade do setor financeiro.

Pressão crescente sobre segurança

Para Edlayne Burr, diretora executiva e líder de estratégia para pagamentos da Accenture, a segurança passa a ser um elemento central nesse novo cenário. Em nota, Edlayne aponta que “à medida que os pagamentos se tornam mais autônomos, a confiança está emergindo como a moeda mais valiosa na economia digital. Os bancos e outros provedores de pagamentos devem incorporar segurança e conformidade em todas as interações agênticas, garantindo que a inovação nunca venha às custas da confiança”.

A executiva também destaca a adoção de moedas digitais e como isso tem moldado a experiência do consumidor, além da revisão que está ocorrendo na infraestrutura de pagamentos em nível global . Ela aponta que “enquanto as criptomoedas serviram como veículos de investimento e pagamento viáveis, o nível de interesse do consumidor e investimento institucional em stablecoins lastreados em moeda fiduciária e depósitos tokenizados está forçando a indústria a se modernizar mais rápido do que nunca”.

O estudo recomenda uma agenda de ações para o mercado financeiro, entre as prioridades estão a preparação de infraestruturas e APIs para suportar moedas digitais e depósitos tokenizados; a aceleração de casos de uso com alto valor agregado em pagamentos agênticos; o fortalecimento dos sistemas de gestão de fraude e risco; e a definição estratégica do papel de cada instituição na nova economia digital. O relatório também aponta a importância de arquiteturas nativas em nuvem, com foco em resiliência, escalabilidade e tokenização, como base para sustentar o comércio agêntico em larga escala.

A pesquisa ouviu mais de 200 bancos e provedores de serviços de pagamento, além de mais de 200 empresas em mercados globais.

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