
A inteligência artificial vem deixando de ser um recurso pontual para assumir funções estruturais no ensino em diferentes países, segundo o relatório “O Futuro da IA nas Escolas“, elaborado pela Teachy. O estudo analisou dados de mais de 2.000 escolas brasileiras e comparou políticas educacionais internacionais, mostrando que nações como Coreia do Sul, Estados Unidos, Austrália e China já integram a IA diretamente aos modelos pedagógicos, com impacto sobre currículo, avaliação e organização do trabalho docente.
Na Coreia do Sul, o Ministério da Educação iniciou a adoção de livros didáticos digitais inteligentes, capazes de ajustar conteúdos ao desempenho individual dos estudantes. Nos Estados Unidos, experiências como a da Alpha School reposicionam o papel do professor, que passa a atuar mais como mentor e apoio socioemocional, enquanto plataformas adaptativas conduzem parte do ensino. Austrália e China estruturaram diretrizes nacionais para orientar o uso responsável da tecnologia, incluindo formação de professores e parâmetros éticos.
Automação pedagógica reduz gargalos
No Brasil, o movimento começa a ganhar escala operacional. De acordo com o estudo, sistemas de IA já automatizam etapas do fluxo de trabalho docente em diversas redes, com destaque para a correção de avaliações. Um exemplo é o programa Redação SP, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, onde ferramentas automatizadas apoiam a avaliação de textos de mais de 570 mil estudantes do 5º ano ao Ensino Médio, ampliando significativamente a capacidade de processamento e reduzindo atrasos na devolutiva pedagógica.
Pedro Siciliano, CEO da Teachy, informou em nota que a discussão não é usar ou não IA em sala de aula, pois a tecnologia já está presente e a discussão agora é conseguir usar a IA com intencionalidade. Ele destacou que “os países mais avançados colocaram formação docente e diretrizes claras no centro. O Brasil tem a chance de fazer o mesmo e garantir que cada hora recuperada se transforme em impacto real na aprendizagem”.
Aceitação dos professores avança
Os dados indicam uma ampla aceitação por parte dos educadores: cerca de 75% dos professores brasileiros concordam com o uso da IA em sala de aula. O levantamento também aponta ganhos relevantes de eficiência, com economia média de aproximadamente 15 horas semanais em diferentes etapas da educação básica, além de aumento no engajamento dos alunos e melhora no desempenho acadêmico. Segundo os respondentes, os maiores benefícios são percebidos entre estudantes com dificuldades de aprendizagem, reforçando o potencial da tecnologia para ampliar a acessibilidade educacional.
Apesar dos avanços práticos, o Brasil ainda carece de uma política nacional específica para inteligência artificial na educação. Enquanto outros países já operam com frameworks oficiais, o cenário brasileiro se apoia majoritariamente em diretrizes gerais, como a Base Nacional Comum Curricular.





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