
A adoção de inteligência artificial nas empresas avança para um novo estágio, marcado pela consolidação dos agentes de IA como parte das operações corporativas. Segundo o relatório “2026 State of AI Agents“, da Databricks, organizações ao redor do mundo estão migrando rapidamente de experimentos pontuais com chatbots para arquiteturas multiagentes capazes de planejar, decidir e executar fluxos de trabalho complexos de forma autônoma.
Com base em dados agregados e desidentificados de mais de 20 mil organizações globais (incluindo mais de 60% das companhias da Fortune 500), o estudo aponta um crescimento de 327% no uso de workflows multiagentes em apenas quatro meses. Na prática, esses sistemas já respondem por 80% da criação de bancos de dados e por 97% dos ambientes de teste e desenvolvimento, indicando que a IA deixou de ser um recurso experimental para se tornar uma parte importante dos processos de negócio.
Alinhamento estratégico e dados próprios
O relatório mostra que, embora 67% das empresas já utilizem ferramentas de IA, apenas 19% operam agentes em ambiente de produção, e geralmente de forma restrita. As organizações que avançam com mais consistência são aquelas que conectam os casos de uso de IA à estratégia corporativa, desenvolvem agentes especializados com dados proprietários e integram múltiplos modelos e ferramentas. Entre as aplicações mais frequentes, 40% estão ligadas à experiência do cliente, como atendimento, onboarding e personalização.
A estratégia multimodelo também ganha força: 77% das empresas já utilizam duas ou mais famílias de modelos de linguagem, buscando maior flexibilidade e redução de dependência de fornecedores. Além disso, 96% das inferências de IA ocorrem em tempo real, especialmente em setores como tecnologia, saúde e serviços financeiros, reforçando a demanda por sistemas mais responsivos e integrados às operações críticas.
Com governança, a IA ganha escala
Para sustentar essa evolução, governança e avaliação emergem como pontos decisivos. O estudo indica que empresas que adotam ferramentas de avaliação conseguem levar quase seis vezes mais projetos de IA para produção, enquanto aquelas que investem em soluções de governança implementam até 12 vezes mais iniciativas. O investimento nessas frentes cresceu sete vezes em nove meses, refletindo a necessidade de controle, conformidade regulatória e mitigação de riscos associados a sistemas cada vez mais autônomos.
O desafio corporativo deixou de ser a escolha do melhor modelo e passou a ser a construção de agentes com contexto empresarial, governança robusta e métricas claras de desempenho. Ricardo Buffon, Country Manager da Databricks no Brasil, explicou em nota sobre o mercado nacional, onde “as empresas que realmente liderarão esse movimento são aquelas que investem em bases sólidas de dados, governança responsável e plataformas preparadas para crescer junto com suas ambições. A IA não é mais apenas sobre adoção de tecnologia, mas sobre capacitar pessoas e organizações com dados confiáveis para gerar impacto duradouro e uma transformação significativa dos negócios”.






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