
Pablos Holman não é um futurista comum. Com um histórico que vai da criação da Blue Origin ao trabalho com criptografia nos anos 90, ele traz uma visão pragmática e, por vezes, provocadora sobre o papel da tecnologia na sobrevivência da espécie humana. Para Holman, não estamos vivendo uma crise de tecnologia, mas sim uma crise de imaginação e de foco.
No fundo, o que ele diz é que devemos pensar em uma ou duas coisas que nos importe muito e focar, deixando o resto ao redor (que é importante, mas não te levará adiante).
Um dos pontos centrais da tese de Holman é a necessidade urgente de expandir a produção global de energia. Em sua apresentação na abertura do 3D Experience World 2026, em Houston, ele lembrou que a maioria das pessoas no mundo vive com o equivalente energético de uma única torradeira ligada 24 horas por dia, enquanto americanos utilizam cerca de oito.
Energia nuclear repensada
Ele entende que para que 8 bilhões de pessoas prosperem, e tenham uma condição de vida mais digna, precisamos aumentar em 10 vezes a produção global de energia. A solução, segundo ele, não virá apenas de painéis solares (que sofrem com o “ataque implacável da noite”), mas de tecnologias como a energia solar baseada no espaço e reatores nucleares de nova geração. “Nós fizemos 8 bilhões de seres humanos. Agora temos que descobrir como fazer o que eles precisam para prosperar”, alerta Holman.
O futurista destaca que estamos em um momento de correção de curso histórico, especialmente em relação à energia nuclear, que, na visão dele, foi injustamente vilificada no passado. Holman aponta para inovações como reatores que cabem em buracos de sondagem a um quilômetro de profundidade, tornando-os inquestionavelmente seguros.
Chatbots e Modelos Computacionais do Mundo
Entrando no assunto do momento, que é a inteligência artificial, o futurista entende que a conversa está focada nas coisas erradas. Enquanto o público se diverte ou se assusta com chats e imagens, o verdadeiro poder da IA reside na criação de modelos computacionais que permitem simular o futuro.
Essa abordagem já está sendo usada para erradicar doenças como a malária, simulando campanhas de intervenção em software antes de aplicá-las no mundo real. Holman explica que empresas como a SpaceX não constroem foguetes apenas no mundo físico e reforçou as milhares de simulações possíveis com modelos de IA até se chegar ao design perfeito. “O que a IA faz é criar modelos computacionais do mundo, esses são seus futuros possíveis. Escolha um. Esse é o nosso trabalho”, reflete.
Sem susto
Outro destaque da fala de Holman é um apelo emocional contra o pessimismo tecnológico disseminado por Hollywood e pela mídia. Ele acredita que estamos nos “assustando até a morte” com histórias distópicas sobre a IA e o clima, o que gera ansiedade e paralisia.
A saída é focar em uma visão prática e positiva do futuro. Holman acredita que estamos em um novo Renascimento, onde temos as ferramentas, o dinheiro e o conhecimento necessários para construir um mundo de abundância. “Temos o toolkit mais avançado de todos os tempos. Se não conseguirmos descobrir como construir um futuro incrível com isso, não teremos absolutamente nenhuma desculpa”, conclui.






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