A transformação acelerada propagada por inteligência artificial deve ganhar novos contornos no setor industrial. Pelo menos é o que promete a parceria entre a francesa Dassault Systemes e a NVIDIA. As empresas anunciaram durante o 3D Experience World 2026, em Houston (EUA), um trabalho conjunto para desenvolvimento de uma plataforma de IA industrial que impulsionará o uso de gêmeos virtuais.

Como lembrou o CEO da NVIDIA, Jensen Huang, durante o anúncio, as empresas já possuem parcerias há mais de 25 anos. Tudo começou lá atrás com computação gráfica e agora avança pelos domínios da IA. Na nova aliança, a ideia é promover todo tipo de simulação no processo e desenvolvimento de produtos, impulsionado por IA e pelos gêmeos virtuais, de forma a acelerar a entrada de qualquer produto no mercado. Na prática, a aliança permitirá que toda plataforma da empresa francesa se beneficie da infraestrutura de GPUs da NVIDIA garantindo essa fluidez e rapidez na simulação e emulação de produtos. 

Agentes para simulação e emulação

O grupo francês já aposta em agentes com diferentes capacidades que vão de uma conversa geral, passando a um papo de engenheiro já assistindo o profissional na prototipação até o agente chamado de “Marie” que trabalha com conhecimento científico. Neste momento entra o que o CEO da NVIDIA chama de simulação e emulação, o que deve promover grandes mudanças na ciência, pelo potencial de “testar”, por exemplo ação de moléculas, entre outras possibilidades. “A ideia de simulação e emulação juntos para ajudar em ciência vai ser revolucionário”, avaliou Huang.

Jensen Huang e Pascal Daloz, CEO da Dassault, trouxeram com o lançamento a ideia de promover uma arquitetura industrial compartilhada para IA de missão crítica. Trata-se de algo ambicioso já que prevê a transição da computação gráfica para a computação acelerada e da IA generativa aplicada ao mundo físico.  “Para nossa comunidade, o sucesso não é automação. Eles não querem automatizar o passado, mas inventar o futuro. E essa parceria coloca juntos os gêmeos virtuais e a AI Factory, o que representa uma oportunidade para as atividades profissionais”, explicou Daloz. 

Precisão científica no digital

Diferente da IA generativa comum, a IA Física proposta pelas gigantes é fundamentada nas leis da física e no conhecimento científico validado. Ao integrar as bibliotecas NVIDIA CUDA-X e Omniverse à plataforma 3DEXPERIENCE, as empresas permitem que pesquisadores e engenheiros simulem sistemas complexos — de biologia a manufatura — com precisão absoluta antes mesmo de tocarem no mundo real.

Na visão dos executivos, a colaboração servirá ao que chamam de reindustrialização global, facilitando o design de novas plantas de chips e fábricas de IA. De um lado, a NVIDIA utiliza a plataforma Dassault para projetar chips e fábricas de IA e, do outro, o grupo francês utiliza dessas estruturas para rodar seus agentes e gêmeos virtuais.

Sem comentários registrados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *