André Borges, Development Manager do Bradesco, durante encontro no inovabra
André Borges, Development Manager do Bradesco, durante encontro no inovabra

Enquanto IA e os agentes ganham espaço no dia a dia corporativo, as empresas tentam entender como estruturar suas arquiteturas corporativas para esse novo mundo que emerge. E não é diferente com o Bradesco, como relevou André Borges, Development Manager do banco, em encontro realizado no Inovabra. O executivo detalhou como a instituição vem estruturando sua estratégia de inteligência artificial em escala. À frente do Techbra (grupo que reúne a área de tecnologia dentro do banco), Borges contextualizou a adoção de agentes como parte de um modelo orientado a time to market, modernização de legados e hiperpersonalização de serviços.

O executivo descreveu a chamada “revolução das BIAs”, com frentes que vão da BIA Corporativa, voltada a colaboradores, à BIA Clientes, já habilitada para mais de 24 milhões de correntistas na pessoa física. Um dos casos destacados é o Pix via linguagem natural no WhatsApp, apoiado por arquitetura multiagente com camadas de segurança e conformidade regulatória. Segundo ele, o uso produtivo de IA também tem contribuído para ganhos de produtividade, melhoria na qualidade de histórias ágeis e redução de consumo de MIPS em ambientes de mainframe, tema sensível em grandes bancos.

Objetivo claro, resultado consistente

Ao abordar o papel humano nesse cenário, Borges foi direto ao dizer que agentes não falham por falta de inteligência, mas por ausência de direção humana clara: “quando a gente tem objetivo vago, vai trazer solução genérica, não tem mágica”. Metas vagas, métricas mal definidas e uso indiscriminado de modelos mais caros tendem a gerar ciclos improdutivos de tentativa e erro. Ele afirmou que “antes da gente falar de agente, LLM, automação, a gente precisa falar de algo muito básico. Coisa que a gente sabe lá da época de gerenciamento de projetos, que é a intenção, o objetivo e o plano que a gente quer para isso”, reforçando que a tecnologia não substitui estratégia.

No modelo defendido pelo banco, a lógica é AI first com humano no loop. Agentes assumem tarefas repetitivas e densas, enquanto desenvolvedores atuam como líderes de squads virtuais, focados em arquitetura, decisão e inovação. A governança inclui revisão contínua de modelos e atualização constante frente à evolução das LLMs, evitando dependência estática de ferramentas.

Para Borges, o avanço dos agentes amplia a capacidade de experimentação e acelera ciclos de teste, dinâmica já comum em ecossistemas de startups. Mas o diferencial competitivo continuará sendo humano: definir o destino, coordenar a jornada e transformar eficiência tecnológica em valor real de negócio. “A tecnologia é poderosa, mas ela não vai decidir ter objetivo sozinha” finalizou.

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