Sergio Lozinsky no palco do Eatech. Foto: João Pontes/Flashbang

A expansão acelerada da inteligência artificial nas empresas, somada à regulação crescente e à intensa necessidade de dados corporativos para que a IA efetivamente funcione, está elevando a busca por soluções de governança à enésima potência no mundo. Segundo o Gartner, serão US$ 1 bilhão gastos ao ano em 2030. Mas, como sabemos, governança não é só software, e o tema passou por uma evolução no mercado e dentro das organizações.

No caso da Governança 5.0, mais do que o controle das soluções adotadas, trata-se de um gerenciamento que une tecnologia e humanidade, de modo a libertar todo o potencial dos trabalhadores e gestores, “não substituir ou controlar”. O tema foi debatido durante o Eatech Conference 2026, realizado entre 4 e 8 de março no Malai Manso Resort, na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso.

Para Sergio Lozinsky, fundador da Lozinsky Consultoria, enquanto a governança 1.0 se preocupava em dar satisfação aos acionistas e a 2.0 em registrar processos, a 3.0 em alcançar o nível da estratégia e a 4.0 em incluir todos os stakeholders, a 5.0 busca alcançar toda a sociedade. Ela é voltada “ao proposito, à tecnologia e à humanidade integrados, em uma época em que se teme a IA como causadora de demissões em massa e coisas do tipo”.

Segundo o especialista, o tema governança apareceu mais de 70% das vezes entre as preocupações mais frequentes dos CIOs atualmente.

“E a TI está em boa posição nesse tema porque tem uma visibilidade privilegiada de toda a organização. Por isso ela pode identificar pontos de melhoria, riscos e novos benefícios da tecnologia”, ponderou Lozinsky, durante uma lotada sessão sobre o tema. “O CIO precisa ser visto na empresa não como alguém que quer frear, mas sim para fazer a adoção de maneira organizada”.

Nesse contexto, garante o especialista, a área de tecnologia entra com destaque porque tem capacidade de projetar cenários. Além disso, tem os instrumentos e pode antever riscos organizacionais no uso de IA. Ela deve fazer parte de um “conselho digital”, que com um painel, “talvez em tempo real”, pode discutir proativamente os próximos passos da empresa, além de dar a devida atenção à temas como cibersegurança e ESG.

“Tem um dever de casa muito grande, especialmente da TI”, disse.

Prática e critérios

Antes de adotar uma governança 5.0, Lozinsky recomenda que a TI das empresas se faça algumas perguntas. Por exemplo, se existe clareza na estratégia de adoção de inteligência artificial, ou qualquer outra tecnologia digital. “Parece uma pergunta óbvia, mas em 50% dos casos a resposta é ‘não’ quando questiono os CIO. Eles dizem que não tem essa clareza, que literalmente são tiradores de pedidos”, ponderou o consultor.

Durante sessão paralela, Lozinsky refletiu sobre evolução da governança nas companhias. Foto: Marcus Oliveira/Flashbang

Também é preciso considerar o grau de maturidade da organização, e se há clima para debater o tema. E questionar se a área de TI tem influência e participação suficiente na companhia para influenciar nos rumos da governança.

Outro ponto é se as “pessoas certas” estão na equipe e, caso não estejam, em pensar em treinar, contratar e substituir. O “débito técnico” nos sistemas atuais e os gargalos na operação devem ser considerados.

No que diz respeito aos fornecedores, segundo Lozinsky, é preciso considerar diferenças e capacidade de evolução das ofertas e soluções. “Aconteceu muito isso com a reforma tributária”, ponderou ele, referindo-se à entrada em vigor das primeiras medidas previstas pela reforma aprovada no fim de 2023. “É possível fazer trocas inteligentes, às vezes até com o mesmo fornecedor.”

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