
A dificuldade das empresas brasileiras para encontrar profissionais qualificados continua elevada e sem sinais relevantes de recuo. De acordo com a “Pesquisa de Escassez de Talentos 2026”, divulgada pelo ManpowerGroup, 80% dos empregadores no país relatam problemas para preencher vagas, um percentual superior à média global de 72%. O índice nacional permanece praticamente estável nos últimos anos, indicando que a falta de profissionais com as competências demandadas é um problema estrutural do mercado de trabalho.
“A escassez de talentos deixou de ser um fenômeno pontual e passou a integrar a dinâmica estrutural do mercado de trabalho brasileiro. Não se trata de uma oscilação momentânea, mas de um cenário persistente, que exige das empresas uma revisão profunda de suas estratégias de atração, desenvolvimento e retenção de profissionais”, pontuou em nota Wilma Dal Col, diretora de Recursos Humanos no ManpowerGroup.
Demanda por competências técnicas e profissionais qualificados
O levantamento aponta que setores intensivos em conhecimento concentram as maiores dificuldades de contratação. Serviços profissionais, científicos e técnicos lideram o ranking, seguidos pelas áreas de informação e por segmentos como comércio e logística, hospitalidade, manufatura e serviços públicos e de recursos naturais. A escassez também se manifesta com maior intensidade em importantes polos econômicos, com destaque para o estado de São Paulo, onde 88% dos empregadores relatam obstáculos para recrutar, além de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Entre as competências mais difíceis de encontrar estão habilidades técnicas relacionadas à transformação digital, como desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial, letramento em IA, tecnologia da informação e análise de dados. Funções voltadas ao relacionamento com clientes (incluindo atendimento, marketing e vendas) também aparecem entre as áreas com maior pressão por talentos.
Capacitação com novos modelos de trabalho
No campo comportamental, atributos como profissionalismo, ética, comunicação e capacidade de colaboração seguem entre os mais valorizados pelas empresas. A combinação entre competências técnicas em rápida evolução e habilidades socioemocionais tem se tornado um diferencial para a adaptação ao ambiente de trabalho marcado pela digitalização e pelo uso crescente de tecnologias baseadas em IA.
A organizações vêm ajustando suas estratégias de gestão de pessoas e segundo a pesquisa, iniciativas de qualificação interna ganharam destaque: 44% das empresas apostam em programas de upskilling e reskilling para desenvolver novas competências entre os colaboradores. Outras medidas incluem a busca por novos perfis profissionais, maior flexibilidade de localização e horários de trabalho, além de ajustes salariais e expansão de modelos como terceirização e contratação temporária.
Wilma ressalta que “ao diversificar as frentes de busca por talentos e oferecer mais flexibilidade, as empresas ampliam o acesso a profissionais e constroem modelos de trabalho mais adaptáveis e preparados para as transformações do mercado”. O levantamento foi realizado com mais de 39 mil empregadores em 41 países, incluindo 1.020 entrevistas no Brasil.






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