
A Unilever Alimentos implementou em sua fábrica de Pouso Alegre (MG) um projeto pioneiro nas Américas que converte resíduos de maionese em energia renovável. A unidade, responsável por toda a produção de Hellmann’s no país, passou a operar um biodigestor que transforma subprodutos orgânicos em biogás, integrando biotecnologia e inteligência artificial para otimizar o processo em escala industrial.
O desafio técnico era significativo. A maionese, rica em óleos e graxas, possui formulação que dificulta a degradação em sistemas anaeróbicos, exigindo monitoramento rigoroso de pH e estabilidade biológica. Rodrigo Cano, responsável técnico pelo biodigestor, explicou em nota que “o grande desafio foi quebrar a estabilidade de um produto pensado para não se degradar facilmente. Conseguimos estruturar um sistema biológico capaz de lidar com essa complexidade de forma controlada”.
A solução desenvolvida inclui um “gêmeo digital”, chamado Cerebra, que acompanha variáveis como temperatura, pressão e composição do gás, antecipando desvios e aumentando a eficiência da geração de biogás. “Hoje conseguimos prever desvios e aumentar a eficiência da geração de biogás com mais segurança”, contou Cano.
Resíduos viram energia limpa
O sistema evita a emissão de 350 a 400 toneladas de CO₂ por ano e utiliza o próprio biogás para aquecer o processo, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Com retorno financeiro previsto em menos de cinco anos, o projeto é parte de uma estratégia de longo prazo que combina compostagem, uso de biomassa e biodigestão para ampliar a circularidade e a autossuficiência energética da fábrica até 2026.
O biodigestor, desenvolvido em parceria com a Unicamp, opera continuamente em alto nível de automação, integrando controle químico, biologia e reaproveitamento energético. Rodrigo cano ainda adicionou que “o biodigestor é um sistema vivo que exige equilíbrio constante. A combinação entre biologia e tecnologia foi essencial para garantir estabilidade e escala”.






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