
A pressão por eficiência no uso de recursos naturais e energia tem impulsionado a adoção de tecnologias digitais no agronegócio. Em sistemas de irrigação por pivô central, onde o consumo elétrico é elevado e a disponibilidade hídrica varia ao longo do ano, soluções integradas ganham relevância para equilibrar produtividade e custos operacionais.
Os Centros de Competência da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Future Grid e Cedra, desenvolveram um hardware voltado ao gerenciamento inteligente de energia elétrica na irrigação. A proposta combina monitoramento em tempo real, inteligência artificial na borda, geração distribuída e armazenamento energético em um único equipamento, com foco em otimizar o uso de água e eletricidade nas propriedades rurais.
Luciano Carstens, gerente sênior do Future Grid, informou em nota que “a previsão de conclusão dos trabalhos é 2027, com expectativa de que os resultados sejam transferidos tanto para o setor produtivo quanto para a formulação de políticas públicas. A expectativa é que, ao final do projeto, exista um modelo de hardware e software pronto para comercialização e replicável em diferentes culturas e regiões do país“.
Redução de custos e otimização das operações
A tecnologia integra sensores de campo, algoritmos de gestão hídrica e energética e sistemas de decisão instantânea. A arquitetura inclui fontes renováveis, como painéis solares, associadas a sistemas de armazenamento em baterias (BESS), permitindo ajustar a demanda energética aos ciclos de irrigação e às condições locais. O objetivo é reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade operacional em ambientes marcados por sazonalidade.
“Na prática, a solução em desenvolvimento será capaz de caracterizar o perfil de consumo elétrico dos pivôs, cruzar informações com sensores de irrigação e realizar o agendamento do acionamento de motobombas nos momentos de real necessidade de irrigação e de menor custo de energia, ou de maior disponibilidade de geração local”, explicou também em nota Bruno Knevitz Hammerschmitt, pesquisador do Lactec.
Entre os desafios técnicos estão a coleta confiável de dados em tempo real, a integração entre diferentes fontes energéticas e a definição do dimensionamento ideal dos sistemas de geração e armazenamento. A escalabilidade da solução e sua adaptação a diferentes regiões agrícolas também fazem parte das etapas de validação.
Parceria conecta energia e agro digital
O desenvolvimento é conduzido de forma colaborativa. O Future Grid (Centro de Competência Embrapii para promoção de conhecimentos em Smart Grid e Eletromobilidade), que conta com a expertise e infraestrutura do Lactec, responde pelo projeto do hardware, eletrônica embarcada e algoritmos de controle. Já o Cedra (Centro de Competência em agronegócio digital, credenciado pela Embrapii e apoiado pelo Sistema Fiergs) contribui com conhecimento aplicado em irrigação, sensoriamento e agricultura digital. A iniciativa integra a Rede Agrointeligente e está em fase de pesquisa aplicada.
A iniciativa reflete o papel dos Centros de Competência Embrapii na conexão entre ciência e indústria, com foco em áreas estratégicas como smart grids, agricultura digital e hardware avançado. Ao acelerar a transferência de tecnologia e apoiar o desenvolvimento de soluções deep tech, o modelo busca ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro diante de desafios energéticos e climáticos.
Bruno ainda estaca que a ferramenta “não só proporcionará a gestão efetiva do consumo de energia elétrica e a redução de custos, mas também preservará um recurso cada vez mais escasso: a água. A inteligência embarcada decide quando, quanto e como irrigar, usando a melhor composição de energia disponível”.






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