
O aumento da superfície de ataque digitais vêm pressionando empresas a revisarem suas estratégias de proteção. Um estudo da Kaspersky indica que 43% das organizações brasileiras pretendem implementar Centros de Operações de Segurança (SOC), enquanto 40% priorizam ampliar a capacidade de resposta diante de ameaças mais sofisticadas e persistentes.
O SOC funciona como uma estrutura centralizada de monitoramento contínuo, reunindo especialistas, processos e tecnologias para identificar, analisar e responder a incidentes em tempo real. Na prática, esse modelo permite maior visibilidade sobre redes e sistemas críticos, reduzindo o tempo de detecção e mitigação de ataques, um ponto decisivo em ambientes digitais cada vez mais distribuídos.
O levantamento ouviu executivos de segurança e líderes de TI de empresas com mais de 500 funcionários em 16 países. Todos os participantes ainda não operam SOCs, mas planejam sua adoção no curto prazo, o que reforça uma tendência global de amadurecimento das estratégias de cibersegurança, com foco em inteligência operacional e resposta coordenada.
Papel estratégico
Entre os principais motivadores para adoção no Brasil estão o fortalecimento da postura de segurança, a detecção mais ágil de ameaças e a capacidade de reação a incidentes. Há também uma dimensão estratégica: 33% das empresas veem o SOC como diferencial competitivo, ao permitir gestão mais eficiente de riscos digitais e maior resiliência operacional.
Outros fatores relevantes incluem a necessidade de proteger dados sensíveis (27%), atender a requisitos regulatórios (26%) e lidar com a expansão de endpoints e aplicações conectadas (26%). Esse cenário reflete a crescente complexidade das infraestruturas digitais, especialmente em organizações de grande porte, mais expostas a exigências de conformidade e continuidade de negócios.
O monitoramento ininterrupto aparece como prioridade: 46% das empresas destacam a vigilância 24/7 como função crítica do SOC. Esse modelo amplia a capacidade de identificar anomalias precocemente e conter incidentes antes que causem impactos relevantes, consolidando uma abordagem mais proativa de gestão de riscos cibernéticos.
Foco em eficiência e inteligência de ameaças
A estratégia de implementação também varia. Empresas que optam por terceirizar operações tendem a priorizar processos de aprendizado contínuo com base em incidentes, enquanto aquelas que internalizam o SOC concentram esforços na gestão de acessos e no controle mais rigoroso de identidades e permissões.
“Para construir um SOC com sucesso, as empresas devem priorizar não apenas a combinação adequada de tecnologias, mas também o planejamento cuidadoso dos processos, a definição clara de objetivos e a alocação eficiente de recursos. Fluxos de trabalho bem estruturados e a melhoria contínua são essenciais para garantir que os analistas possam se concentrar em tarefas críticas, transformando o SOC em um componente proativo e adaptável dentro da estratégia de cibersegurança”, explicou em nota Claudio Martinelli, diretor-geral para as Américas na Kaspersky.
Como diretriz técnica, a Kaspersky recomenda integrar inteligência de ameaças ao SOC para antecipar riscos e ajustar políticas com base em ataques observados no mercado. A combinação de análise de dados, automação e visibilidade ampliada sobre o ambiente digital é apontada como caminho para elevar a eficiência operacional e sustentar a resiliência em um cenário de ameaças em constante evolução.






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