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A expansão da infraestrutura digital na América Latina começa a acelerar novos modelos de contratação de energia renovável. Em meio ao avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e da demanda por processamento de dados, empresas do setor buscam reduzir exposição ao custo energético e ampliar metas de sustentabilidade em operações de grande escala.

A OMNIA Data Centers e a Casa dos Ventos anunciaram o maior contrato de autoprodução de energia renovável já firmado para data centers na América Latina. O acordo, estimado em cerca de US$ 2 bilhões, prevê fornecimento de até 300 MW médios de energia provenientes de parques eólicos localizados no Ceará e no Piauí.

A operação será estruturada no modelo de autoprodução, em que a OMNIA passa a ter participação societária nos ativos de geração desenvolvidos pela Casa dos Ventos. Com isso, a companhia terá acesso direto à energia produzida para abastecer o Data Center Pecém, empreendimento estratégico que será instalado no Complexo do Pecém, no Ceará.

Energia renovável ganha papel estratégico

O movimento acompanha uma tendência global de integração entre infraestrutura digital e geração renovável dedicada. O crescimento do consumo energético por data centers vem pressionando empresas de tecnologia e operadoras de infraestrutura a garantir contratos de longo prazo com maior previsibilidade de custos e menor exposição às oscilações do mercado livre de energia.

Rodrigo Abreu, CEO da OMNIA, comentou em nota que o modelo representa um avanço estrutural para operações intensivas em energia. “A autoprodução de energia nos permite combinar escala, previsibilidade e sustentabilidade em uma única estratégia. Ao internalizar parte da geração e garantir o uso de fontes renováveis, fortalecemos a resiliência energética do Data Center Pecém e avançamos de forma concreta em nossa agenda de descarbonização, atendendo às demandas de clientes globais por infraestrutura digital cada vez mais eficiente e de baixo carbono”, explicou.

A estrutura do acordo permitirá ampliar a competitividade operacional do Data Center Pecém, ao assegurar fornecimento energético em larga escala com maior estabilidade financeira. O projeto também prevê consumo integral de energia renovável, com rastreabilidade da geração e redução mensurável de emissões de carbono.

Nordeste como polo de energia renovável

A Casa dos Ventos estima investimentos de aproximadamente R$ 4 bilhões na implantação dos parques eólicos que atenderão ao contrato. A empresa ficará responsável pelo desenvolvimento, operação e gestão dos ativos de geração renovável. Já a OMNIA atuará como desenvolvedora, investidora e operadora da estrutura de data center, além de autoprodutora vinculada aos empreendimentos de energia.

“Este acordo reafirma o potencial do Brasil como destino para o setor de tecnologia, impulsionado por uma das fontes renováveis mais competitivas do planeta. Nosso diferencial é converter a abundância de recursos naturais brasileiros em processamento digital de baixo carbono, garantindo que a crescente demanda por capacidade computacional não utilize fontes fósseis, como observamos em outros mercados. Em sinergia com nossos parceiros, aplicamos nossa expertise em geração eólica transformando o potencial dos ventos em ‘bytes verdes‘ para exportação, posicionando o país na vanguarda da nova economia digital”, destacou também em nota Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos.

O projeto deve ampliar também os investimentos em infraestrutura no Nordeste. A expectativa é de geração de mais de 6 mil empregos diretos durante as fases de construção e operação, além de impactos indiretos sobre a cadeia produtiva regional. As empresas avaliam que a iniciativa fortalece o Complexo do Pecém como polo estratégico de energia e infraestrutura digital no país.

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