Representantes das Academias de Ciências presentes ao evento e corpo técnico da ABC. Foto: Mario Marques/Divulgação ABC

A capacidade da América Latina de competir em áreas estratégicas como inteligência artificial, transição energética e biotecnologia depende de uma aproximação maior entre ciência, inovação e desenvolvimento econômico. A avaliação foi reforçada por academias de ciências da região durante o encontro internacional “A Interface Ciência-Inovação na América Latina”, realizado na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro.

Ao término do evento, representantes de instituições científicas ligadas à Rede Latino-Americana de Agências de Inovação (RELAI) divulgaram uma declaração conjunta defendendo uma agenda regional voltada ao fortalecimento da pesquisa, da inovação e da cooperação entre os países latino-americanos. O documento aponta que a região ainda enfrenta obstáculos históricos para consolidar sua autonomia tecnológica, entre eles a baixa intensidade dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a limitada articulação entre universidades, centros de pesquisa, empresas e governos.

A avaliação das academias é que essas fragilidades reduzem a capacidade de transformar conhecimento científico em soluções de alto valor agregado, afetando a competitividade internacional e a independência tecnológica dos países latino-americanos. A declaração sustenta que a produção científica continua sendo o principal alicerce para o avanço tecnológico e para a construção de economias mais resilientes e inovadoras.

Reforço à pesquisa e à colaboração tecnológica

O texto destaca a necessidade de ampliar os recursos destinados à pesquisa científica e à inovação, tanto por parte do setor público quanto da iniciativa privada. Para os signatários, o financiamento contínuo da ciência básica permanece fundamental para a formação de pesquisadores, o desenvolvimento de tecnologias estratégicas e a execução de projetos de longo prazo capazes de gerar impactos econômicos e sociais duradouros.

Outro ponto do documento é a defesa de ecossistemas de inovação mais integrados. A proposta envolve o fortalecimento da colaboração entre instituições acadêmicas, setor produtivo, governos e sociedade civil, com o objetivo de acelerar a transferência de conhecimento e ampliar a capacidade regional de desenvolver soluções tecnológicas próprias.

Tecnologia, sustentabilidade e coordenação científica

A declaração também aborda os desafios associados à rápida expansão da inteligência artificial. As academias defendem políticas orientadas por evidências e mecanismos mais robustos de análise, monitoramento e avaliação dessas tecnologias. A preocupação é garantir que o avanço da IA esteja alinhado a critérios científicos, sociais e econômicos que contribuam para o desenvolvimento sustentável da região.

Entre as prioridades apontadas estão iniciativas de inovação orientadas para grandes desafios contemporâneos, incluindo saúde, mudanças climáticas, transição energética, conservação da biodiversidade e segurança alimentar. Segundo os participantes, essas áreas exigem esforços coordenados e podem se beneficiar da capacidade científica já instalada nos países latino-americanos.

O encontro contou com patrocínio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e reuniu representantes de academias de ciências e instituições ligadas ao fomento da inovação. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai são os países que fazem parte da RELAI.

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