
Os ataques DDoS mitigados no Brasil registraram desaceleração em abril de 2026, mas passaram por uma mudança estrutural no perfil técnico das ofensivas. Um levantamento da Huge Networks mostra que o protocolo DNS amplification (DNS_AMP) assumiu a liderança entre os vetores utilizados, concentrando 46,1% das anomalias no período e se tornando o maior nível já observado na série histórica da empresa.
No total, foram mitigadas 39.489 anomalias em abril, recuo de 17,5% frente a março, quando o volume havia alcançado 47.867 ocorrências. Apesar da queda na frequência, a intensidade dos ataques voltou a crescer. O maior pico registrado no mês atingiu 2,14 Tbps, acima dos 1,84 Tbps observados no período anterior, indicando manutenção da capacidade de geração de tráfego em alta escala.
DNS_AMP lidera ranking de ataques
A análise também evidencia uma reconfiguração na composição dos vetores. Em março, o protocolo IP liderava as ocorrências com 32,18%. Em abril, o DNS_AMP assumiu a primeira posição e consolidou uma trajetória de crescimento contínuo desde o início do ano, saindo de 4,9% em janeiro para 8% em fevereiro, até atingir o patamar atual.
Matheus Castanho, Tech Lead da Huge Networks, explicou em nota que “a rápida substituição dos vetores dominantes mostra que os ataques continuam operando em ciclos curtos de adaptação técnica. Em abril, o DNS amplification consolidou protagonismo ao explorar a capacidade de amplificação de servidores DNS abertos, elevando o impacto das ofensivas mesmo com menor volume agregado de ataques”.
Outro movimento relevante foi a saída dos vetores baseados em TCP do ranking principal. Em fevereiro, eles respondiam por 44,6% das ocorrências, mas desapareceram da liderança em abril. O cenário passou a ser distribuído entre protocolos como ICMP, UDP, IP, UDP-QUIC e LOW-UDP, sem concentração equivalente à observada no DNS amplification.
Camada de transporte concentra maior parte dos ataques
A mudança no perfil dos vetores impactou diretamente a distribuição por camadas do modelo OSI. A camada 4, associada ao transporte de dados e controle de conexões, saltou de 58,79% em março para 73,76% em abril, alcançando o maior avanço mensal dos últimos seis meses. Já a camada 7, ligada à aplicação, recuou para 1,40% das ocorrências.
Segundo Castanho, o avanço de vetores baseados em UDP e DNS amplifica a pressão sobre a infraestrutura de transporte. “Quando há crescimento de ataques ligados a UDP e amplificação DNS, a pressão tende a se concentrar na camada de transporte, exigindo respostas mais rápidas da infraestrutura de mitigação. Isso muda o comportamento operacional das defesas, principalmente em ambientes preparados para padrões observados nos meses anteriores”.
Na distribuição geográfica, o Rio de Janeiro voltou a liderar o ranking nacional, com 23,7% das anomalias mitigadas em abril, seguido por São Paulo. A alternância entre os dois estados pelo segundo mês consecutivo indica maior dispersão regional na origem dos ataques.
Volume recua, mas intensidade permanece elevada
Mesmo com a redução no total de ocorrências, o cenário ainda está distante dos picos registrados no início de 2026. A série histórica da Huge Networks aponta que dezembro de 2025 concentrou 136.389 anomalias, seguido por 85.158 em janeiro, níveis significativamente superiores aos observados em abril.
O comportamento recente sugere uma transição para ataques mais fragmentados, com alternância rápida entre vetores e maior variação técnica. Para a empresa, esse padrão reforça a necessidade de mecanismos de mitigação adaptáveis, capazes de responder a mudanças frequentes na estrutura das ofensivas.
O que são ataques DDoS
Ataques DDoS (negação de serviço distribuída) consistem na sobrecarga intencional de sistemas por meio de tráfego massivo, com o objetivo de comprometer a disponibilidade de sites, aplicações ou serviços digitais. O efeito prático é a indisponibilidade ou degradação do acesso por usuários legítimos.






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