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A inteligência artificial física começa a transformar o setor de manufatura. Um estudo da Tata Consultancy Services (TCS) mostra que fabricantes da América do Norte e da Europa estão ampliando os investimentos na tecnologia e direcionando esforços para levar sistemas inteligentes além dos projetos-piloto. A meta é integrar inteligência artificial às operações industriais de forma permanente.

O levantamento “Future-Ready Manufacturing: TCS Physical AI Readiness Report 2026” aponta uma mudança de foco entre as empresas. Em vez de iniciativas isoladas de automação, cresce o interesse pela criação de ecossistemas de IA física capazes de atuar em fábricas, centros de distribuição, operações logísticas, manutenção e controle de qualidade.

Segundo a pesquisa, a tecnologia também passa a ser vista como um recurso de apoio às equipes. O modelo operacional combina pessoas e sistemas inteligentes para ampliar a capacidade dos trabalhadores, reduzir riscos em atividades repetitivas ou perigosas e facilitar a redistribuição de funções quando necessário.

Investimentos continuam crescendo

O estudo revela que o investimento em IA física deve permanecer aquecido. Nenhuma das 300 empresas entrevistadas pretende reduzir os aportes na tecnologia. Entre elas, 26% afirmam que devem ampliar os recursos destinados aos projetos nos próximos anos.

Outro dado relevante mostra que as empresas já trabalham com uma visão de longo prazo. A expectativa é construir uma transformação gradual e sustentável, substituindo a lógica de experimentos de curta duração por programas estruturados de modernização industrial.

As áreas que devem sentir os maiores impactos são armazenagem, apontada por 77% dos entrevistados, seguida pelas operações de montagem e manufatura (75%) e pela logística e movimentação de materiais (72%).

Escala ainda é desafio para a indústria

Apesar do interesse crescente, a maior parte das empresas ainda está nas primeiras etapas de adoção, com 68% dos fabricantes em fases experimentais ou de pré-implantação da IA física.

Entre os principais desafios aparecem a integração com sistemas legados, a organização da infraestrutura de dados e a preparação da força de trabalho para operar novos modelos tecnológicos. Esses fatores são considerados essenciais para ampliar o uso da IA em escala corporativa.

A governança também aparece como um ponto de atenção. O estudo identificou que 44% das empresas ainda não possuem uma estrutura formal (ou contam com processos pouco definidos) para responder por eventuais falhas envolvendo IA física. Além disso, 40% afirmam não estar preparadas para atender às novas exigências regulatórias que começam a surgir nesse segmento.

Chão de fábrica mais inteligente

Para Anupam Singhal, presidente de Manufatura da TCS, a próxima etapa da transformação industrial acontece diretamente nas operações físicas. Em nota o executivo apontou que “a IA física está levando a inteligência além da tela e para o chão de fábrica, onde as máquinas detectam, adaptam-se e agem em tempo real. Os fabricantes que conseguirem escalá-la com sucesso definirão a próxima era da manufatura. A abordagem ‘da infraestrutura à inteligência’ da TCS os posiciona para liderar essa transformação. Com todos os fabricantes do nosso estudo planejando manter ou aumentar seus investimentos, a direção é clara rumo a empresas de manufatura mais resilientes, adaptativas e prontas para o futuro”.

A pesquisa foi desenvolvida após a criação do TCS Physical AI Gemini Experience Center, inaugurado em março de 2026 em Troy, no estado de Michigan (EUA), em parceria com o Google Cloud. O centro funciona como um ambiente para testes e validação de aplicações de IA física voltadas à segurança, qualidade e eficiência operacional.

Parceria aposta em IA multimodal

O Google Cloud participa da iniciativa levando os recursos multimodais do Gemini para aplicações industriais. A proposta é permitir que robôs e sistemas inteligentes executem tarefas com maior autonomia.

“A IA física está movendo a manufatura dos insights digitais para a ação autônoma no mundo real. Por meio da nossa parceria com a TCS, estamos levando o raciocínio multimodal do Gemini para o chão de fábrica, permitindo que robôs e sistemas operem de forma segura e inteligente em ambientes industriais complexos”, complementou também em nota Kevin Ichhpurani, presidente do Ecossistema Global de Parceiros do Google Cloud.

Além do centro de inovação, a TCS oferece o Physical AI Blueprint, framework que combina robôs quadrúpedes e humanoides, sensores, computação de borda e serviços em nuvem para fornecer informações operacionais em tempo real e apoiar decisões autônomas nas operações industriais.

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