
Nos últimos 5 anos o investimento em tecnologia feito pelos bancos brasileiros saltou 58%. Apenas para 2026 a previsão é que o segmento aporte R$ 50,4 bilhões em soluções tecnológicas. Entre os destaques estão computação em nuvem e inteligência artificial, que ganham mais espaço no orçamento, mostrando o apetite das instituições financeiras por modernização e novas tecnologias.
Os dados são da Pesquisa Febraban Tecnologia Bancária, apresentada durante o evento anual da instituição, em São Paulo. Apenas em computação em nuvem, a previsão é de um salto de 30% no investimento, chegando a R$ 3.9 bilhões neste ano. Já investimentos em soluções de inteligência artificial e big data devem crescer 8% neste ano, atingindo R$ 2.9 bilhões.
Questionados sobre se o valor aplicado em IA era o esperado, os representantes da entidade afirmaram que sim e lembraram que os bancos têm colocado muito dinheiro em nuvem para ter os fundamentos adequados para extrair os benefícios da IA.
Gerando valor
“8% de crescimento está dentro do esperado. Cloud cresce mais porque para processar precisa estar com infraestrutura redonda e com arquitetura de dados calibrada e avançada”, pontuou Sergio Biagini, sócio da Deloitte, consultoria parceira da Febraban na realização do estudo.
Para a diretora de inovação e tecnologia da Febraban, Eduarda Davidovic, é preciso considerar também que grande parte dos bancos já aplicam Ia de forma experimental e 90% já fazem o básico bem feito. “Eles extraem valor em tarefas rotineiras, vemos evolução dessa agenda que, provavelmente, vai se consolidar e evoluir no próximo ano com pagamentos agênticos, com prevenção à fraudes segurança. Esperamos aumento exponencial.”
A captura de valor mencionada por Eduarda é refletida nos números da pesquisa, como apresentou Rodrigo Mulinari, diretor de tecnologia e inovação da Febraban e responsável pelo estudo. Os dados apontam que 92% dos bancos viram aumento de velocidade na execução de tarefas, 52% em redução de custo e 52% mostraram mais eficiência na análise de dados.
O uso de agentes, no entanto, ainda enfrenta o desafio da escala, como pontuou Mulinari. 52% das instituições já utilizam esse tipo de tecnologia em suas operações e 16% afirmam que têm escala e real captura de valor. “Mas acreditamos em aumento dessa curva nos próximos anos. Os bancos têm sido pioneiros no uso dessa tecnologia, lembrando que se trata de uma tecnologia com menos de 1 ano; a adesão tem sido rápida.”
Olho no futuro
A rápida adesão dos bancos a novas tecnologias e o investimento pesado em modernização das arquiteturas é também reflexo da digitalização da sociedade. O uso de IA, por exemplo, pelas pessoas em suas rotinas cotidianas força as instituições a oferecerem essas soluções em seus produtos. Isso aconteceu lá atrás, por exemplo, quando a sociedade abraçou os smartphohes.
Como ressaltou Ivo Mosca, diretor-executivo de inovação, produto e segurança da Febraban, um cliente acessa, em média, 33 vezes o aplicativo no celular para qualquer tipo de operação. “Operações que parecem simples, tem transações em 2 segundos e nem paramos para pensar tamanho do mecanismo e engrenagem colossal por trás do funcionamento.”
E se tendência e futuro importam, um tema que já ganha força nas discussões e também integra a pesquisa é a computação quântica (Baixe nosso report sobre quântica). Embora não haja consenso sobre quando essa tecnologia estará disponível em escala global, os bancos já demonstram interesse e preocupação sobre o impacto que ela pode ter nas operações. O estudo aponta que quântica amplia oportunidades e mostra que 71% dos bancos consideram que a tecnologia será relevante na instituição nos próximos anos, mas 29% consideram relevante hoje. O impacto esperado pode ser dividido em três esferas: criptografia e segurança da informação de forma geral; IA e machine learning; e análise de risco e modelagem.
Como lembrou Mulinari, embora haja divergência entre indústria e academia sobre escala, com alguns falando em 2029 e outros em 2035, os bancos optaram por se antecipar, inclusive em formação profissional. “Os bancos se anteciparam nisso, como fizeram com IA e mobile, para ser pioneiros na ativação dessas tecnologias. Grande parte dos bancos já tem (o tema) na formação, os bancos estão preocupados e atualizados para quando estiver disponível para uso em escala.”






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