
A inteligência artificial tem potencial de aumentar a produtividade do setor público, e pode ajudar administrações a promoverem políticas para, por exemplo, a preparação para mudanças climáticas e a mitigação dos efeitos de desastres naturais. Segundo um estudo recente do NIC.br, 60% dos órgãos públicos utilizam IA para fazer gestão pública.
Outro estudo, esse do Google, divulgado em março e feito pela Public First com 3.335 servidores públicos de 10 países, o Brasil lidera o entusiasmo com a IA: 60% se disseram animados com o uso da tecnologia no trabalho. O número é maior do que no Reino Unido (47%) e Estados Unidos (43%), mas menor do que na Arábia Saudita (79%) e na Índia (71%).
Para Milton Burgese, diretor de setor público para a América Latina do Google, a IA aplicada à administração pública pode aumentar o PIB do País em até 4%, além de trazer 2% mais produtividade no setor. “O futuro do setor público é seguro, soberano e extremamente inteligente. E impacta positivamente a vida de todos nós”, disse o executivo nessa quinta-feira (24) no palco do Google Cloud Summit 2026.
Um dos exemplos desse futuro é o caso de sucesso de um chatbot com IA generativa disponibilizado para produtores rurais pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A ideia é oferecer conhecimento técnico de agronomia e previsões climáticas a “milhões” de produtores rurais brasileiros por meio de um assistente de IA conversacional diretamente no WhatsApp, amplamente utilizado no Brasil.
Outro exemplo é o case premiado Redação Paraná, promovido pela secretaria de educação do governo do estado do Paraná. A IA foi usada para corrigir a gramática de redações de 850 mil alunos de 2 mil escolas, como forma de liberar tempo dos professores para fazerem a análise de outros aspectos dos textos, como a argumentação. A ideia é ganhar eficiência na preparação deles para o ENEM e vestibulares.
Segundo Burgese, o Google quer disponibilizar para o setor público brasileiro as ferramentas da Climate AI Suite, conjunto que combina, entre outros, ferramentas de previsão climática periódica, alertas acessíveis de eventos climáticos e capacidade de resposta para desastres como queimadas, por exemplo. “Estamos trabalhando com parceiros para ter uma suíte de modelos preditivos disponíveis em toda América Latina”, disse.
“Na nova versão atualizada desses serviços estamos bucando formas de tornar o uso [dos modelos] mais fácil. A ideia é preparar os modelos, integrados com cenários de uso, e deixar disponibilizado. Uma pequena prefeitura que queira consultar o modelo [poderá fazê-lo] sem a necessidade de ter pessoas tão preparadas na ponta”, explicou. “Ter essas soluções integradas vai aumentar muito a quantidade de municípios e estados usuários.”
No palco, o executivo anunciou uma versão gratuita da Gemini Academy, para treinamento em IA, voltada para profissionais do setor público, inclusive com certificações. É possível saber mais nesse link.
Educação
Outro assunto muito tratado durante o Google Cloud Summit 2026 em São Paulo foi o Capacita+, treinamento de IA que espera treinar 200 mil pessoas no Brasil em um único dia – no caso, esta quinta (24). A aula híbrida e gratuita foi feita presencialmente no evento, e transmitida ao vivo pelo YouTube em parceria com mais de 150 universidades.
O esforço faz parte de uma meta do Google Cloud de capacitar três milhões de brasileiros em IA e nuvem nos próximos anos. Além disso, a empresa disse que vai oferecer 10 mil vouchers de certificação gratuitos a desenvolvedores no Brasil em certificações como Associate Cloud Engineer e Generative AI Leader.
Segundo a assessoria do Google Cloud, os descontos serão distribuídos antes do fim do ano em uma aula pública, mas não deu maiores detalhes.






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