Foto: Mesayu Elida Irawati/Pexels

A inteligência artificial pode ter um papel importante em um problema que costuma ficar fora das discussões sobre IA: o consumo de energia dos próprios edifícios. Um estudo divulgado pela Schneider Electric durante a Climate Week NYC 2026 estima que a aplicação de IA na gestão de prédios pode reduzir em até 22% o consumo total de energia de uma torre, em comparação com sistemas tradicionais de controle.

O impacto também aparece na conta. Segundo a pesquisa “AI for Climate: Quantifying the Energy and Carbon Impact of Building Optimization”, a economia pode variar de US$ 13.600 a US$ 49.300 por ano por edifício, considerando tarifas comerciais atuais. Em projetos maiores, o efeito tende a se multiplicar conforme a tecnologia é aplicada a diferentes ativos de um mesmo portfólio.

O estudo aponta uma relação relevante entre eficiência energética e impacto ambiental. As emissões de carbono evitadas pela otimização com IA podem superar em mais de 100 vezes a pegada de carbono associada ao próprio sistema de inteligência artificial.

HVAC concentra parte importante do potencial

A pesquisa analisou o uso de IA para otimizar sistemas de HVAC, responsáveis pelo aquecimento, ventilação e ar-condicionado dos edifícios. A estimativa é de que essa aplicação possa gerar uma redução adicional de 7,2% a 12,7% no consumo de energia dos ativos.

A lógica é usar uma camada de inteligência sobre os sistemas digitais já existentes. A IA cruza informações como ocupação dos ambientes, previsão do tempo, desempenho dos equipamentos e outros dados operacionais. A partir daí, pode ajustar o funcionamento do HVAC continuamente, em vez de depender apenas de configurações previamente definidas.

Em alguns cenários analisados, a economia anual ultrapassou 200 MWh. A pesquisa calcula ainda que uma única torre pode evitar até 59.869 kg de CO₂e por ano, volume equivalente, segundo a comparação utilizada no estudo, ao benefício ambiental associado ao plantio de cerca de 2.700 árvores adultas.

A Schneider Electric também aponta que a IA pode mais do que dobrar a redução de consumo obtida somente com controles inteligentes de edifícios. A tecnologia pode ser executada tanto em ambientes de nuvem quanto na borda.

Dados conectados para automatizar decisões

Para chegar aos resultados, a empresa combinou modelagem energética com dados de projetos-piloto realizados na Austrália, Índia e Estados Unidos. A análise considerou diferentes tipos de edifícios e avaliou efeitos sobre consumo de energia, emissões e custos operacionais.

O modelo proposto conecta dados que normalmente ficam distribuídos entre diferentes sistemas de administração e operação. Com essas informações reunidas, a IA consegue acompanhar as condições do prédio e realizar ajustes no funcionamento dos equipamentos em tempo real.

Pankaj Sharma, EVP de Software & Services da Schneider Electric, apontou em nota que “o futuro da gestão de edificações será definido pela eficácia com que as organizações conectam e contextualizam dados que antes estavam isolados. Uma camada de IA sobre os sistemas empresariais existentes pode transformar complexidade em inteligência e inteligência em ação, mitigando emissões, diminuindo custos e melhorando o desempenho simultaneamente. Conforme a demanda por energia continua a crescer, a capacidade de proporcionar esses resultados em conjunto, em vez de obrigar as companhias a escolher entre eles, será fundamental para alcançar tanto os objetivos de negócios quanto os de sustentabilidade”.

Tecnologia também mira edifícios menores

Outro ponto da pesquisa é a possibilidade de levar esse tipo de automação para construções pequenas e médias, com menos de 9.300 m². Esse grupo costuma enfrentar limitações de orçamento e de disponibilidade de profissionais especializados para administrar sistemas avançados de energia.

A automação baseada em IA pode reduzir parte dessa complexidade ao transformar dados operacionais em ajustes automáticos. Na prática, isso abre espaço para que edifícios menores adotem estratégias de eficiência que antes poderiam exigir mais infraestrutura ou conhecimento técnico.

“A IA está colocando o poder da inteligência energética nas mãos de proprietários e operadores de prédios menores. O que antes exigia conhecimento especializado e investimentos significativos agora pode ser realizado de modo mais simples e em maior escala, auxiliando as organizações a evitar o desperdício de energia, diminuir custos, aperfeiçoar o desempenho e tomar decisões mais inteligentes com confiança”, acrescentou Sharma.

De acordo com os dados apresentados pela Schneider Electric, os edifícios respondem por aproximadamente 37% das emissões globais de carbono relacionadas à energia. A aplicação de IA à gestão de HVAC aparece, portanto, como uma das formas de usar a tecnologia não apenas para gerar novos recursos digitais, mas também para reduzir o consumo da infraestrutura que sustenta as operações corporativas.

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