Marijus Briedis, CTO da NordVPN. Foto: Divulgação

O Brasil melhorou sua posição no conhecimento sobre cibersegurança e privacidade digital, mas os resultados mostram que a evolução não acontece no mesmo ritmo em todas as frentes. O país ficou em 8º lugar no National Privacy Test 2026, duas posições acima do resultado registrado no ano anterior.

A pesquisa da NordVPN atribuiu ao Brasil 44 pontos em uma escala de 0 a 100. O levantamento reuniu 23.181 participantes de 167 países e avaliou conhecimentos sobre proteção de dados, hábitos digitais e ameaças online.

O desempenho brasileiro é particularmente forte em práticas já conhecidas. 95% dos participantes sabem o que caracteriza uma senha forte, enquanto 89% entendem quais conteúdos podem ficar visíveis para seguidores nas redes sociais. Outros 85% reconhecem quais tipos de empresas podem coletar informações sobre sua navegação.

Conhecimento não significa proteção

A diferença aparece quando o usuário precisa transformar esse conhecimento em medidas concretas de proteção. Apenas 2% dos brasileiros identificaram corretamente práticas relacionadas ao uso seguro de redes Wi-Fi públicas, enquanto 5% souberam responder como administrar os dados compartilhados por aplicativos por meio de permissões.

O cenário também se repete com ferramentas de privacidade. Embora os usuários conheçam recursos como VPNs e gerenciadores de senhas, quase nenhum participante brasileiro conseguiu apontar corretamente o conjunto completo de tecnologias que pode ajudar a reduzir a exposição de dados.

Marijus Briedis, diretor de tecnologia da NordVPN, comentou em nota que “segurança digital não significa mais apenas conhecer as regras básicas. À medida que a inteligência artificial torna os golpes mais convincentes e a coleta de dados menos visível, as pessoas precisam avaliar melhor quais informações um serviço realmente necessita, se determinado conteúdo é confiável e o que cada ferramenta de privacidade efetivamente protege”.

Segundo o executivo, a alfabetização digital precisa avançar para além da identificação de ameaças conhecidas. O usuário também precisa desconfiar de situações aparentemente normais e saber quando vale fazer uma verificação adicional.

IA amplia as dificuldades

As tecnologias baseadas em inteligência artificial estão entre os pontos em que o conhecimento brasileiro fica mais distante da média global. 46% dos participantes reconheceram sinais de deepfake, quatro pontos percentuais abaixo do resultado mundial, de 50%.

Nos golpes que utilizam IA, 64% conseguiram identificar corretamente as situações apresentadas. A média global chegou a 74%. O conhecimento sobre infostealers, malwares capazes de roubar informações como senhas e cookies do navegador, também foi baixo: apenas 34% responderam corretamente.

Por outro lado, 91% dos brasileiros sabem que publicações em redes sociais podem ser usadas para treinar modelos de inteligência artificial. O levantamento também aponta que 62% reconhecem que a Meta pode coletar informações relacionadas a pessoas que nem sequer possuem contas em suas plataformas.

“Isso não significa necessariamente que os participantes desconhecem individualmente ferramentas como VPNs, gerenciadores de senhas ou bloqueadores de rastreamento. A questão exigia distinguir diferentes tecnologias e compreender quais delas podem contribuir para a proteção da privacidade”, explicou Briedis.

Maioria ainda está no nível intermediário

A classificação por níveis reforça a distância entre conhecimento básico e domínio de segurança digital. 58% dos brasileiros foram classificados como “Cyber Tourists”, grupo que reúne usuários com noções básicas, mas que ainda cometem erros frequentes em privacidade e segurança.

Outros 36% ficaram na categoria “Cyber Adventurers”, enquanto 5% foram classificados como “Cyber Wanderers”, nível de conhecimento mínimo. Apenas 2% chegaram ao grupo “Cyber Star”, considerado o estágio mais avançado do teste.

A liderança global ficou com Singapura, com 52 pontos. Polônia, com 51, ocupou a segunda posição, enquanto Alemanha e Finlândia dividiram o terceiro lugar, com 50 pontos cada. A NordVPN ressalta que mudanças nas perguntas deste ano impedem uma comparação direta das pontuações com edições anteriores.

O que muda na prática

Os resultados apontam para uma necessidade que vai além de reconhecer phishing ou criar senhas fortes. A recomendação é combinar senhas exclusivas, gerenciadores de credenciais, passkeys e autenticação multifator, além de revisar regularmente as permissões concedidas aos aplicativos.

Outro ponto envolve o uso de inteligência artificial. Senhas, documentos corporativos, dados financeiros e informações de clientes não devem ser enviados a ferramentas de IA sem que o usuário saiba como esses dados serão tratados e se o compartilhamento é permitido.

A pesquisa também reforça que recursos de segurança têm funções diferentes. VPNs, antivírus, bloqueadores de rastreamento, gerenciadores de senhas e aplicativos com criptografia de ponta a ponta protegem aspectos distintos da vida digital e não devem ser tratados como soluções equivalentes.

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