
Muitas empresas sofrem com implantações de inteligência artificial e os números não mentem. Parte dessa problemática se deve à falta de prontidão para futuro. Em outras palavras, lideranças não se prepararam para o momento por entenderem que era algo que estaria muito distante. E esse movimento pode se repetir em breve, mas, agora, com o mundo quântico. Especialistas debateram o tema durante a Futurecom 2026, em São Paulo, e ressaltaram a necessidade de se colocar o tema na pauta de discussão desde já, seja por risco, seja por oportunidades.
Como lembrou João Marcelo Silva Souza, pesquisador de computação quântica do Senai Cimatec, é preciso lembrar que já passamos por revoluções que forçaram grandes mudanças nas empresas. “As lideranças de tecnologia passam por isso e, nos últimos dois anos, com LLMs, a sensação é que estávamos atrasados. A tecnologia estava pronta, mas quanto sua empresa estava? Com quântica a revolução é mais abrupta, o rolo compressor será maior, falo de mudança de paradigma”, provocou o cientista.
O estar preparado tem relação tanto com risco quanto com oportunidades que a tecnologia traz. Hagai Eisenberg, cofundador e Chief Science Officer da Heqa Security reforça a tese de rupturas já em andamento, em especial porque o modelo quântico torna coisas impossíveis, possíveis. O cientista vê na segurança da informação o maior risco, em especial pelo amplo uso das criptografias RSA por parte das empresas, algo que, por si só, já deveria pelo menos levantar a curiosidade das lideranças sobre o tema.
Por outro lado, Eisenberg ressalta a necessidade também de se focar nos benefícios que a tecnologia quântica pode propiciar ao mundo corporativo. E eles vão desde acelerar a velocidade de IA e agentes de IA, passando por desenhar e repensar modelos de distribuição envolvendo multimodais de transporte. “Se pudermos solucionar reações químicas podemos desenhar novas drogas, baterias e outros materiais, tudo baseado em simulação na computação quântica e essa é a maior vantagem que vejo hoje desse modelo computacional.
Mão de obra
Se a evangelização das tecnologias quânticas precisa ser ampliada por aqui, é preciso lembrar que o Brasil não está tão alheio ao jogo. Existem diversas iniciativas locais, como as do próprio Senai Cimatec, onde Souza é pesquisador. Ele avalia que o país tem tecnologias, forma bons profissionais, embora a maioria esteja fora do país, mas ainda assim está na corrida. “Como consumidor e como provedor de soluções, mas as iniciativas são desconhecidas. Brasil tem tecnologia e podemos ajudar empresas e ecossistemas a sair da inércia”, comentou o pesquisador.
Apesar do otimismo com o ambiente e iniciativas locais para tecnologias quânticas, João Marcelo Silva Souza ressalta que formação profissional pode ser gargalo. Ele avalia que quando falamos de quântica o tipo de pessoas e perfil para montar o negócio não está adequado. “As empresas não estão preparadas para absorver e usar quântica por falta de pessoas para transformação na era quântica. E a computação pode revolucionar processos que não são resolvidos. Se você tem uma empresa e espera tê-la no futuro, comece a olhar isso para movimentar seus processos para atender esse potencial e não acontecer o que aconteceu com IA. Tem muita empresa fechando por não ter se preparado”, dispara.
Quantum day?
Embora a discussão não tenha entrado no Quantum Day, existe uma discussão no mundo sobre quando os computadores quânticos estariam prontos para escalar e produzir os riscos à criptografia propagados. Vários apostam 2030 como o ano chave. Os especialistas lembraram, no entanto, que quando o assunto é quântico, ele não está restrito à computação e passa por comunicação e sensores, áreas que estão mais avançadas. Em comunicação, já existem soluções para garantir segurança em um mundo onde a computação quântica seja realidade.
“Existe muito hype e muta expectativa. Já existem computadores, tem baixa capacidade, mas estão disponíveis. Resolver problemas comerciais como fazemos com IA e super computadores ainda vai levar mais tempo. Mas problemas específicos já conseguimos”, pontuou Souza. O pesquisador comentou ainda que IA como usamos não terá onde ser processada e computação quântica pode atender esse ponto.
Para Eisenberg trata-se de uma ciência lógica que amplia nossas capacidades. O cofundador da Hega avalia que a pergunta a se fazer no momento não é o que podemos fazer, mas qual diferencial produziremos ao usar informação quântica. “Teremos mutas respostas, computação quântica resolve problemas especificos impossíveis à computação clássica. A comunicação quântica traz possibilidade que não sabemos fazer com a comunicação clássica.”






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