
O Brasil avançou no ranking mundial de ataques de ransomware em setembro, mesmo com a redução dos casos em diversos países. Foram 31 vítimas registradas no mês, contra 27 em agosto, uma alta de 14,8%. Com esse resultado, o País passou da sexta para a terceira posição entre os mais atingidos por esse tipo de crime digital.
Os dados são da plataforma Ransomware.live, divulgados pela Cohesity. O movimento brasileiro contrasta com o cenário internacional: entre os oito países com mais vítimas, o Brasil foi o único que apresentou crescimento no período.
Ataques recuam no mundo, mas seguem em patamar elevado
Em escala global, setembro teve 881 vítimas identificadas, 27,3% abaixo das 1.212 registradas em agosto. Apesar da queda, o volume continua expressivo e representa a terceira maior marca dos últimos 12 meses. O resultado mostra que a redução mensal não significa necessariamente uma mudança duradoura no ritmo das ofensivas.
Os Estados Unidos permaneceram na liderança, com 275 vítimas, embora tenham registrado uma queda de 33,9%. A Alemanha ficou em segundo lugar, com 38 casos, seguida pelo Brasil. Canadá e Reino Unido contabilizaram 29 vítimas cada, enquanto a Itália registrou 28. Índia e França tiveram 24 e 23 casos, respectivamente. Espanha e Argentina fecharam a lista dos dez países mais afetados, com 17 vítimas cada, após não aparecerem no levantamento de agosto.
Para Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity na América Latina, a redução global precisa ser analisada com cautela. “A queda acentuada de setembro em relação ao pico recorde de agosto deve ser interpretada com cautela, e não como tendência duradoura. Equipes de defesa e segurança de dados devem encarar o período como uma oportunidade de recalibrar e manter a vigilância”, apontou Leite em nota.
Manufatura lidera os ataques
A indústria de manufatura continuou como o setor mais atingido por ransomware, com 148 vítimas em setembro. O número representa uma redução de 20% na comparação com agosto, quando foram contabilizados 185 casos. Na sequência aparecem o mercado B2B, com 102 vítimas, e o setor de tecnologia, com 98. As duas categorias também tiveram recuo, de 25% e 39,1%, respectivamente.
A área de saúde registrou 82 vítimas, queda de 30,5%, enquanto os serviços financeiros somaram 41 casos, uma redução de 40,6%. Já os setores de educação e governo e defesa apareceram entre as categorias monitoradas com vítimas em setembro, após não apresentarem registros no mês anterior. Foram 35 casos na educação e 28 em governo e defesa.
Órgãos públicos também enfrentam riscos
A presença de vítimas nos segmentos de educação e governo e defesa amplia a preocupação com os possíveis efeitos dos ataques contra serviços essenciais. Além de comprometer sistemas e dados, incidentes desse tipo podem prejudicar a continuidade de operações que atendem diretamente à população.
“Esse aumento indica a ocorrência de ataques no setor público, sejam eles novos ou recém-monitorados. Assim como em ofensivas no setor de saúde, acarretam em um risco operacional específico, dado seus potenciais impactos sociais e na segurança dos pacientes”, destacou Leite.
O levantamento da Ransomware.live acompanha sites de vazamento mantidos por grupos criminosos para identificar empresas e organizações apontadas como vítimas. Como os números dependem das vítimas divulgadas nesses ambientes, eles representam os casos identificados pela plataforma, e não necessariamente a totalidade dos ataques ocorridos.






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