Foto: Nando Freitas/Pexels

Levar tecnologia médica a regiões onde hospitais e laboratórios ficam a horas de distância é um desafio para a saúde pública brasileira. Na Amazônia, onde o transporte por rios faz parte da rotina de muitas comunidades, equipamentos portáteis ajudam a reduzir barreiras de acesso a exames e permitem que equipes de saúde atendam pacientes sem depender de uma estrutura hospitalar convencional.

Uma parceria entre a Fujifilm, o Grupo Fleury e os Voluntários do Sertão utilizou esse tipo de tecnologia em expedições realizadas no Pará e no Amazonas, em 2025 e 2026. As ações passaram por Breves, Santarém e Monte Alegre, no Pará, e Parintins, no Amazonas.

Em 2026, a iniciativa alcançou 2.174 pessoas e registrou 3.718 serviços, incluindo exames laboratoriais e de imagem. Os dados também apontam 45.890 atendimentos contabilizados pela ação.

Equipamentos chegam até os pacientes

A operação levou recursos de diagnóstico a locais onde o acesso a serviços especializados pode exigir viagens demoradas. Para viabilizar os exames, as equipes organizaram estruturas temporárias em escolas, postos de atendimento e embarcações adaptadas.

Entre as tecnologias utilizadas estão o FDR XAIR, aparelho de raio-X portátil com aproximadamente 3,5 quilos, e o Dri-Chem NX600, voltado a análises bioquímicas. Por serem transportáveis, os equipamentos podem acompanhar as equipes durante os deslocamentos e funcionar em locais sem a infraestrutura de um hospital tradicional.

Em 2025, as ações no Pará realizaram mais de 260 exames de raio-X e atenderam mais de 170 pessoas. No ano seguinte, a iniciativa ampliou o alcance, com 1.331 pacientes atendidos em exames de imagem e 1.584 procedimentos, incluindo raio-X, ultrassom, mamografia e eletrocardiograma.

Na área laboratorial, 402 pacientes passaram por exames, que somaram 1.693 análises. A combinação de diferentes modalidades permite que as equipes realizem avaliações clínicas sem depender exclusivamente de serviços concentrados nos grandes centros urbanos.

Mobilidade reduz barreiras ao diagnóstico

Em comunidades ribeirinhas, a distância até uma unidade de saúde pode representar um obstáculo tanto para a realização de exames quanto para a continuidade do atendimento. A necessidade de transporte fluvial e os custos de deslocamento tornam a oferta local de serviços especialmente relevante para quem vive em áreas isoladas.

A mobilidade dos aparelhos, porém, é apenas parte da solução. A realização de exames nessas localidades também depende de profissionais capacitados, organização das equipes e condições adequadas para a operação dos equipamentos.

Para Lindauro Júnior, diretor de Inovação, Tecnologia e Pós-Venda da Fujifilm do Brasil, transportar a tecnologia até as comunidades pode ampliar as possibilidades de assistência em regiões com pouca infraestrutura médica. Em nota o executivo destacou que “em um país com dimensões como as do Brasil, existem localidades em que o principal desafio é fazer o equipamento chegar até o paciente. A utilização de tecnologias portáteis permite levar recursos de diagnóstico para locais onde a infraestrutura convencional de saúde não está disponível. Com a combinação de conectividade e atendimento especializado, essas soluções podem ampliar as possibilidades de diagnóstico em comunidades ribeirinhas e outras regiões afastadas dos grandes centros”.

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