
Em um cenário global de transformações rápidas impulsionadas pela inteligência artificial (IA), o Brasil se destaca por dois fatores: é um dos países com maior integração da tecnologia ao ambiente de trabalho e, paradoxalmente, o que apresenta menor nível de temor quanto à substituição de funções humanas. Apenas 27% dos profissionais brasileiros acreditam que seu emprego possa desaparecer nos próximos dez anos devido à IA — a menor taxa entre os 11 países analisados pela pesquisa global “AI at Work: Momentum Builds, but Gaps Remain”, conduzida pelo Boston Consulting Group (BCG).
A terceira edição do estudo ouviu mais de 10 mil profissionais em regiões como América do Norte, Europa, Ásia e América Latina. Os dados revelam que 76% dos brasileiros usam ferramentas de IA várias vezes por semana ou diariamente, superando a média global de 72% e nações como Estados Unidos (64%), França (64%) e Alemanha (67%).
Para Alexandre Montoro, diretor executivo e sócio do BCG, o dado reflete uma adoção que parte mais do indivíduo do que das empresas. “Os funcionários brasileiros podem estar adotando a IA por iniciativa própria, impulsionados pela curiosidade, pela busca por eficiência pessoal ou pela necessidade de se manterem competitivos. Contudo, para que o uso seja responsável, as organizações devem investir em programas de treinamento estruturados, com políticas de utilização, além de trabalhar na gestão da mudança, que envolve o redesenho dos processos e transformação da cultura da empresa”, o executivo ressaltou em comunicado.
Baixa integração, alto potencial
Apesar do alto uso individual, apenas 18% dos brasileiros afirmam que agentes de IA já estão plenamente integrados aos fluxos de trabalho de suas organizações. No mundo, três em cada quatro funcionários reconhecem a importância futura da IA para o sucesso empresarial, mas apenas 13% a utilizam de forma estruturada.
O estudo também alerta que 41% dos profissionais no mundo temem perder seus empregos por causa da IA — índice que chega a 63% no Oriente Médio e 61% na Espanha. O Brasil se destaca ao ir na contramão dessa tendência.
Desafios estruturais e recomendações
Mesmo com o avanço, a pesquisa identifica lacunas importantes. Apenas 36% dos entrevistados globalmente sentem-se preparados para usar IA, e só 25% dizem contar com apoio efetivo da liderança.
Para mudar esse cenário, o BCG faz recomendações como: não subestimar a importância de treinamento, investir nos colaboradores para reformular fluxos de trabalho, uso de agentes de IA como impulsionadores em uma remodelação e para resolver barreiras tecnológicas além de adotar uma comunicação transparente para reduzir a ansiedade dos colaboradores em relação aos impactos da IA em seu trabalho.
O estudo completo (em inglês) está disponível neste link.
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