Ecoinvest amplia foco na recuperação de áreas degradadas

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, destacou em sua participação na São Paulo Climate Week que o programa Ecoinvest vem consolidando uma nova frente de mobilização de capital privado, nacional e estrangeiro, para financiar a transformação ecológica no Brasil. Em pouco mais de um ano, dois leilões já colocaram R$ 46 bilhões em projetos, com destaque para a recuperação de áreas degradadas e setores estratégicos como saneamento e biocombustíveis.

Criado em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Embaixada Britânica, o programa busca reduzir gargalos de financiamento e integrar o País ao mercado internacional de investimentos sustentáveis. O grande objetivo é mobilizar capital privado, especialmente externo, para ampliar o alcance dessa agenda e aumentar a integração financeira do Brasil com o mundo.

Leilões bilionários

O primeiro leilão, de caráter mais amplo, contemplou praticamente todos os eixos da Política de Transformação Ecológica. O modelo funcionou com capital catalítico do Tesouro, alavancado por recursos privados em proporção mínima de seis vezes. Seis instituições financeiras privadas, além de Banco do Brasil, Caixa e BNDES, participaram. O resultado: R$ 7 bilhões em recursos públicos atraíram R$ 45 bilhões para projetos, com saneamento e biocombustíveis liderando a carteira.

Validado o modelo, o governo avançou para o segundo leilão, desta vez focado na recuperação de terras degradadas. A demanda superou expectativas: R$ 17 bilhões em capital catalítico para viabilizar uma carteira de R$ 31 bilhões, com compromisso firme de recuperar 1,4 milhão de hectares — quase o dobro do desmatamento anual na Amazônia.

O desenho do segundo leilão incluiu requisitos inéditos: pelo menos 10% dos recursos destinados à Caatinga, metade da área recuperada voltada à produção de alimentos ou proteína animal, aumento mínimo de 5% na cobertura vegetal permanente em áreas não integradas a culturas agrícolas e 12% dos recursos indicados para reflorestamento sustentável.

Governança em destaque

Ceron frisou que a governança e a prestação de contas são pilares do Ecoinvest: “desde o começo, uma preocupação muito grande com a governança, com a prestação de contas, para garantir sempre ter um terceiro acompanhando, certificando que você não teve greenwashing, que de fato os recursos foram aplicados da forma correta”.

Ainda em 2025, o Tesouro deve lançar um leilão específico para o bioma Amazônico, priorizando bioeconomia e produtos baseados na natureza. A ideia é completar um ciclo em que todos os instrumentos e setores prioritários tenham sido contemplados. Depois, o foco será na execução, avaliação e comprovação de resultados.

Reforma tributária, tarifaço e carbono

O secretário também abordou o contexto macroeconômico e fiscal. Para ele, a agenda verde do Tesouro dialoga com o equilíbrio entre crescimento, responsabilidade fiscal e inclusão social. Ele destacou que é preciso manter o balanço entre atender carências sociais sem desequilibrar o macroeconômico e fiscal.

No radar imediato, está a mitigação dos impactos comerciais da recente exclusão de parte da pauta exportadora brasileira para o mercado americano. O Tesouro prepara medidas pontuais para apoiar setores vulneráveis, como produtores de frutas e pescados. Ele ainda comentou sobre duas agendas estruturantes: a reforma tributária, que entra em fase de testes em 2025, e o mercado regulado de carbono, que avança com a criação de uma estrutura dedicada na Secretaria de Política Econômica.

Ceron reforçou que o papel do Tesouro vai além de zelar pelas contas públicas, mas também construir pontes para o futuro, apoiando inovação e práticas econômicas sustentáveis.

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