Lorena Zapata
Lorena Zapata, diretora da Engeper Ambiental e Perfurações

O Brasil mantém um dos maiores índices de perdas de água tratada do mundo, em um contexto de maior pressão climática e reservatórios operando próximos do limite. Dados do Instituto Trata Brasil indicam que 40,3% da água produzida no país se perde antes de chegar ao consumidor, o que equivale a cerca de 5,8 bilhões de metros cúbicos por ano, volume capaz de abastecer aproximadamente 50 milhões de pessoas.

Em países desenvolvidos, a média de perdas gira em torno de 15%, evidenciando um descompasso estrutural na gestão da distribuição brasileira. O impacto vai além da dimensão ambiental. O desperdício amplia custos operacionais, pressiona sistemas de abastecimento e aumenta a vulnerabilidade de setores intensivos em água, como indústria e agronegócio, além de afetar grandes centros urbanos. Em um cenário de secas mais frequentes, a eficiência hídrica deixa de ser apenas um compromisso socioambiental e passa a integrar a lógica econômica das organizações.

Reuso como estratégia hídrica

Informações da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), reunidas no “Relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2025”, mostram que os usos urbano, industrial e agrícola concentram 84% da água retirada no país. O documento também aponta que episódios recentes de escassez impactaram cerca de 7 milhões de brasileiros e resultaram em restrições de uso em regiões metropolitanas e polos industriais, com reflexos diretos na operação das empresas.

Diante desse contexto, soluções de tratamento e reuso de água e efluentes ganham status estratégico na gestão corporativa. Em nota, Lorena Zapata, diretora de Novos Negócios e Sustentabilidade da Engeper Ambiental e Perfurações, explicou que “o reuso deixou de ser uma discussão futura. Hoje, ele impacta diretamente a operação, o planejamento e o caixa das empresas, sobretudo em um ambiente de restrições hídricas recorrentes”.

A expectativa para 2026 é de que o reuso vire um eixo da governança hídrica empresarial, com foco em redução de perdas, eficiência operacional e menor dependência de fontes externas. Na avaliação de Lorena, a prática deixa de ser iniciativa isolada para compor a estratégia do negócio, contribuindo para previsibilidade de custos e mitigação de riscos associados à escassez hídrica.

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