
Levantamento recente do Gartner indica que a adoção de inteligência artificial nas rotinas corporativas já apresenta resultados percebidos, mas ainda enfrenta entraves de implementação. Segundo a consultoria, 46% dos gestores estão testando a IA para melhoria do desempenho de suas funções (entre os colaboradores este índice cai para 26%). Os dados também mostram um descompasso entre o uso e a gestão dessas ferramentas, com líderes mais engajados na experimentação do que os próprios colaboradores.
A pesquisa, conduzida com milhares de profissionais e gestores, aponta que apenas 14% dos líderes não enfrentam dificuldades na adoção efetiva da IA em suas equipes. O cenário mostra que a transformação impulsionada por IA exige mais do que acesso às ferramentas, demandando coordenação, clareza de objetivos e gestão da mudança. A área de Recursos Humanos, nesse contexto, passa a ser pressionada a estruturar estratégias mais consistentes de adoção.
Papel central dos gestores
Entre os principais direcionamentos, a consultoria destaca a necessidade de preparar gestores para integrar a IA às atividades diárias, considerando diferenças entre áreas, níveis de maturidade digital e resistências operacionais e culturais. Carmen von Rohr, diretora sênior da área de práticas de RH do Gartner, explicou em nota que “os gestores precisam encontrar um equilíbrio — garantindo que não percam a confiança e a credibilidade junto às equipes, ao mesmo tempo em que traduzem os benefícios da IA que observam em narrativas de valor alinhadas às expectativas da alta liderança e do negócio”.
Outro ponto crítico está na ausência de diretrizes claras sobre o uso eficaz da IA e seus resultados esperados. Embora muitas organizações incentivem a adoção, poucas definem parâmetros objetivos ou orientam mudanças de comportamento. Esse desalinhamento limita o potencial de captura de valor e reduz a efetividade das iniciativas.
Falta de direcionamento
O estudo também chama atenção para a gestão do tempo liberado pela automação. Carmen destacou que “a maioria das organizações ainda observa que os funcionários economizam apenas pequenos e fragmentados intervalos de tempo com o uso de IA. Isso deve mudar à medida que a tecnologia evolui. Quando os profissionais passarem a economizar blocos significativos de tempo com a IA, esse tempo precisará ser redirecionado de forma eficaz”.
Apenas 7% das empresas estabelece orientações sobre como redirecionar esse tempo. A recomendação é que líderes conectem essas horas a atividades de maior impacto, alinhadas a resultados de negócio e desenvolvimento de competências estratégicas.






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