
A expansão do uso da inteligência artificial está pressionando empresas a rever estruturas de trabalho e estratégias de gestão de mudanças. Levantamento do Gartner com 110 CHROs indica que 78% dos líderes de RH avaliam que fluxos de trabalho e funções precisarão ser redesenhados para capturar valor dos investimentos em IA. O movimento ocorre em um contexto de adoção acelerada da tecnologia, que já vem promovendo reconfigurações organizacionais em mais da metade das empresas ao longo do último ano.
Segundo nota de Rebecca Lane, diretora sênior de pesquisa da área de práticas de RH do Gartner, a IA tem atuado como catalisadora de mudanças rápidas e de alto impacto, com efeitos desiguais entre áreas e equipes. Esse descompasso tende a gerar fricções operacionais e desafios de engajamento, ao mesmo tempo em que amplia o uso prático da tecnologia como ferramenta para resolver problemas de negócio. A gestão de mudanças passa a incorporar uma dimensão mais orientada a oportunidades para os colaboradores, ainda que isso aumente o risco de adesões superficiais às transformações.
Adaptação define resultados
Rebecca aponta que a capacidade de adaptação contínua se tornou um diferencial relevante. Organizações que ajustam regularmente seus planos de mudança com base no retorno dos funcionários têm probabilidade até quatro vezes maior de alcançar resultados efetivos. A recomendação é que as áreas de RH assumam protagonismo na condução dessas transformações, especialmente diante da intensificação do chamado “remix de talentos”, que envolve requalificação, realocação e, em alguns casos, redução de equipes.
Entre as prioridades para 2026, Rebecca destaca a necessidade de calibrar o nível de envolvimento direto dos funcionários, concentrando esforços em mudanças estratégicas para evitar sobrecarga. Também orienta que as empresas tratem a transformação como um processo contínuo, reforcem a integração entre RH e TI (especialmente em iniciativas de IA) e utilizem dados de adoção para identificar lacunas de engajamento. O fortalecimento da segurança psicológica e a alocação de mais recursos para o RH aparecem como condições essenciais para sustentar mudanças em larga escala.






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