Relação com o trabalho
Foto: Campaign Creators/Unsplash

A relação dos profissionais com o trabalho no Brasil tem um desempenho mais resiliente que a média global, é o que aponta a terceira edição do “Índice de Relacionamento com o Trabalho” (WRI 2025) da HP. Contudo a relação vem mostrando desgastes. Apenas 29% dos trabalhadores do conhecimento permanecem na chamada “Zona Saudável”, enquanto a “Zona Crítica” avançou para 34%, evidenciando a percepção de menor cuidado por parte das organizações.

O levantamento aponta queda em pilares centrais da experiência profissional, como Realização, Liderança e Foco nas Pessoas. O aumento das exigências operacionais se soma à visão de que as empresas priorizam resultados financeiros em detrimento do bem-estar: 39% dos entrevistados compartilham dessa percepção. Além disso, 68% afirmam que gostariam de reduzir a frequência de trabalho presencial, reforçando a demanda por modelos mais flexíveis.

Equilíbrio entre vida e trabalho

Segundo nota de Ricardo Kamel, diretor-geral da HP no Brasil, o cenário coloca a cultura corporativa em um momento decisivo. O executivo explica que “os dados mostram que a tecnologia cumprirá um papel fundamental em expandir o potencial das pessoas e já redefine a relação das pessoas com o trabalho. A tecnologia avançou, a IA já é uma realidade para 90% dos trabalhadores, mas a gestão humana precisa acompanhar esse ritmo”.

A pesquisa mostra que a tecnologia é amplamente percebida como aliada do equilíbrio entre vida profissional e pessoal, opinião compartilhada por 88% dos brasileiros. No entanto, persistem desigualdades de acesso e uso. Em 2025, apenas 67% dos trabalhadores do conhecimento afirmam receber treinamento adequado para o uso de inteligência artificial, ante 79% na edição anterior. O relatório também associa o uso frequente da tecnologia a relações de trabalho mais positivas, uma vez que 44% dos profissionais na “Zona Saudável” utilizam IA diariamente, frente a 21% na “Zona Crítica”.

Transformação cultural conecta gerações

No recorte geracional, a Geração Z se destaca por optar por um modelo diferente, priorizando autonomia e flexibilidade acima da remuneração. Em paralelo, profissionais da Geração X e Baby Boomers reconhecem a importância da colaboração intergeracional para a adoção de ferramentas digitais e novas formas de trabalho.

Outro recorte importante é a conexão direta entre clima organizacional e desempenho empresarial. Em companhias classificadas com resultados excelentes, 55% dos colaboradores estão na “Zona Saudável”. Já em empresas de baixo desempenho, 73% da força de trabalho concentra-se na “Zona Crítica”, indicando que relações fragilizadas impactam diretamente os resultados do negócio.

A pesquisa foi realizada em 14 países, incluindo o Brasil, com 18.200 participantes entre trabalhadores do conhecimento, decisores de TI e líderes empresariais.

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