
A Fundação Dorina Nowill para Cegos apresentou dois novos avanços tecnológicos com potencial para transformar a produção de conteúdos acessíveis no Brasil. A Dorina IA e a Plataforma Braille, desenvolvidas internamente pela instituição com apoio da Codebit, integram inteligência artificial e automação para garantir mais agilidade, qualidade e autonomia às pessoas com deficiência visual.
Com a Plataforma Braille, processos manuais foram substituídos por uma estrutura automatizada que organiza arquivos PDF em textos lineares e prontos para impressão em braille. O sistema ainda identifica imagens e organiza os espaços para descrições acessíveis, otimizando etapas como acentuação, espaçamento e ajustes técnicos – funções que antes exigiam intervenção humana integral. A tecnologia mantém a atuação de editores braille, mas acelera significativamente a produção, com foco agora voltado à melhoria da usabilidade pedagógica do material.
“A inteligência artificial foi incorporada com critérios específicos para a alta sensibilidade social em que atuamos, garantindo resultados consistentes sem abrir mão da expertise humana da Fundação Dorina. É uma inovação que alia inteligência artificial à responsabilidade social”, afirmou em comunicado Nágila Seidenstucker, supervisora de Desenvolvimento de Sistemas e Inovação da instituição.
IA treinada para acessibilidade
Complementar à plataforma, a Dorina IA foi treinada para gerar descrições de imagens dentro dos padrões de acessibilidade, com linguagem objetiva e adequada. Mesmo que os conteúdos ainda passem por revisão humana, a tecnologia reduz significativamente o tempo de produção de materiais audiovisuais acessíveis, como podcasts com descrição.
O projeto está em fase de expansão e passa por testes para descrever elementos mais complexos, como mapas e tabelas. Para isso, a Fundação conta com o suporte de professores da USP, especialistas em geografia e curadores cegos, garantindo que o desenvolvimento da ferramenta seja orientado tanto por critérios técnicos quanto pelas experiências dos usuários finais.
“Nosso compromisso com a inclusão vai além da produção de materiais acessíveis. Ao desenvolver tecnologias como a Plataforma Braille e a Dorina IA internamente, mostramos que é possível usar a inteligência artificial como aliada da acessibilidade, promovendo mais agilidade, qualidade e autonomia para pessoas cegas ou com baixa visão. Estamos usando a inovação a serviço da dignidade humana”, disse também em comunicado Rafael Martins, gerente de Tecnologia, Desenvolvimento e Inovação da Fundação Dorina.
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