
O avanço da inteligência artificial ainda é cercado por discussões que vão das mais otimistas, com previsões de um futuro de oportunidades, às céticas e pessimistas, das mais apocalípticas àquelas de que a tecnologia ainda não entrega o que promete. Do lado dos otimistas temos Jensen Huang, CEO da NVIDIA, empresa que tem surfado na onda da IA e dominado o mercado de chips para processar esses modelos. Para o executivo, a IA caminha para se tornar um loop em nossas vidas e se tornar um companheiro digital.
“Tudo o que fizermos no futuro terá IA no loop. Ela lembrará de suas preferências, codificará seus hábitos, habilidades e será seu companheiro digital”, projetou Huang durante fala no 3D Experience World, evento organizado pela SolidWorks, em Houston. Em teoria, esse cenário trazido pelo executivo é de uma IA que captura sua essência.
A visita de Jensen Huang ao evento não foi ao acaso. NVIDIA e Dassault Systemes, que é proprietária da SolidWorks, são parceiras há mais de 25 anos. Algo que começou lá atrás, com a computação gráfica e, agora, avança para o mundo da IA e dos gêmeos digitais, com toda plataforma Dassault rodando em tecnologia da fabricante de semicondutores. “Estamos trabalhando juntos novamente para reinventar a plataforma computacional”, afirmou Huang, ao lembrar a trajetória da parceria e a visão do grupo francês em torno dos gêmeos digitais, algo pensado antes mesmo de o termo virar moda.
Companheiros digitais
Mas de volta ao mundo da IA e aos questionamentos em seu entorno, o discurso da ampliação das capacidades segue assim como aquele de que IA não causará substituição de profissionais em massa. Huang refuta essa ideia e usou como exemplo os profissionais que utilizam os produtos da Dassault Systemes, ao afirmar que engenheiros e designers não serão substituídos, mas o que deve acontecer é que esses profissionais terão “companheiros de IA, o que aumentará o uso de ferramentas e acelerará o desenvolvimento de produtos”.
Nessa mesma linha de raciocínio, ao prever que um profissional terá não apenas um, mas alguns companheiros digitais, o CEO da NVIDIA também afirmou que não vê qualquer chance da IA provocar uma quebradeira na indústria de software como alguns analistas de mercado avaliam. Com esses “companheiros de IA”, ele entende que o volume de licenças adotado por cada empresa tende a crescer.
IA como infraestrutura
Vislumbrando um futuro dominado por essa tecnologia, Jensen Huang entende que com a disseminação da IA e o uso cotidiano nas vidas profissional e pessoal, a melhor forma de encarar a IA é como infraestrutura e não como uma tecnologia, assim como aconteceu com energia elétrica e internet. “Nem mais, nem menos. A inteligência artificial representará a digitalização da inteligência e isso precisa ser encarado como infraestrutura para a sociedade”, pontuou. “Todo mundo precisa disso, toda indústria, toda empresa que precisa de mais produtividade. Por isso, não há razão para não dizer que IA é infraestrutura assim como energia elétrica”.
Huang avaliou também que no lugar de desenvolver e prover manutenção de software nos departamentos de TI, a indústria de TI caminhará para ser uma grande provedora de serviços, ao desenvolver sistemas agênticos que ajudarão empresas a produzirem mais.
Energia precisa avançar
Todo esse movimento, no entanto, depende da produção de energia elétrica, outro ponto polêmico quando se discute inteligência artificial. O executivo não fugiu do tema e explicou que de maneira geral o setor de energia elétrica não acompanhou a rapidez do desenvolvimento das tecnologias. Em tom crítico, afirmou que, pese a importância da sustentabilidade e das mudanças climáticas ou mesmo da questão social envolvendo o fornecimento de energia, as mudanças não acontecerão sem impulso econômico.
Assim, IA, na visão do CEO, vem como um impulso para movimentar o setor e abrir portas não apenas para energia solar e eólica, mas também a de reatores nucleares, defendida por vários executivos e investidores de tecnologia. Apesar dos desafios presentes e do aumento do preço da energia em alguns países, como nos Estados Unidos, o executivo avaliou que com os investimentos e movimentos em curso, esses preços tendem a ficar mais baratos.
“Os sistemas de energia estão datados, mas agora temos uma força de mercado para impulsionar a geração de energia. É preciso lembrar que energia sustentável demorou para alavancar porque não havia uma força de mercado para impulsioná-la. Toda sociedade precisa entender que para haver estabilidade social e sustentabilidade social é preciso crescimento econômico. E para economia crescer, é preciso energia”, comentou.






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