Sustentabilidade tecnologia
Foto: Stockcake

A Kearney divulgou o estudo global “De metas à tecnologia: como os CTOs estão reprogramando a sustentabilidade”, indicando uma inflexão na governança corporativa: a agenda ambiental passou a ser operacionalizada pela área de Tecnologia. A pesquisa ouviu 600 CTOs em diferentes regiões e setores e mostra que mais de 95% deles já atuam diretamente em frentes ESG, influenciando P&D, arquitetura digital e governança de dados. Na prática, a descarbonização ganha tração onde as emissões são medidas e otimizadas — nos sistemas, infraestruturas e plataformas digitais.

O levantamento aponta que 84% das empresas consideram sustentabilidade nas decisões de P&D, mas apenas 38% formalizaram critérios em frameworks estruturados. O resultado é uma implementação desigual: iniciativas com retorno financeiro mais imediato avançam, enquanto projetos de ciclo longo tendem a perder prioridade.

Redução de consumo

Na prática, a agenda tecnológica vem priorizando a eficiência energética. A combinação entre compromissos ambientais e pressão por margens mais enxutas tem direcionado investimentos para energia renovável, racionalização de ambientes em nuvem, eliminação de desperdícios operacionais e aplicações de IA voltadas à otimização do consumo.

O movimento se explica pelo efeito imediato no caixa: reduzir consumo significa reduzir despesas, sobretudo em um cenário de expansão de data centers, processamento intensivo de IA e crescimento da infraestrutura digital. Já frentes mais sistêmicas, como estratégias de circularidade, seguem avançando em ritmo mais lento, em razão da complexidade operacional e do retorno financeiro menos tangível no curto prazo.

Dados, talentos e governança

A inteligência artificial desponta como principal alavanca para metas ambientais, aplicada à gestão de carbono, cadeias de suprimentos e TI verde. Ainda assim, 38% dos executivos citam limitações na qualidade e disponibilidade de dados, e 31% apontam a infraestrutura legada como entrave. Soma-se a isso a escassez de talentos híbridos, mais de 40% dos CTOs afirmam que a falta de profissionais capazes de integrar IA, engenharia de dados e ciência ambiental compromete a escalabilidade das iniciativas.

Outro ponto crítico está nas compras de TI. Embora hardware, nuvem e data centers representem uma fatia relevante das emissões de Escopo 3, apenas 35% incorporam critérios formais de sustentabilidade no procurement.

Para avançar nas práticas sustentáveis, a Kearney recomenda cinco frentes: estruturar business cases que incluam ROI financeiro e ambiental; desenvolver competências híbridas nos colaboradores; modernizar dados e infraestrutura; alinhar governança entre tecnologia e negócios; e fortalecer parcerias na cadeia de suprimentos.

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