Paulo Moreira e Alexandre Benedetti no Eatech Conference 2026. Foto: Flashbang

Os CIOs estão moldando os resultados dos negócios, tendo em vista que são cada vez mais responsáveis por gerar crescimento financeiro para as empresas. Essa foi uma das descobertas do estudo “McKinsey Global Tech Agenda 2026”. O mapeamento revelou que 66% das organizações de alto desempenho têm líderes de tecnologia “muito envolvidos” na elaboração da estratégia corporativa.

Essa crescente relevância dos líderes de tecnologia foi destaque em vários momentos do Eatech Conference 2026. Um exemplo foi a conversa em uma das salas paralelas, guiada pela reflexão “como o mercado está redesenhando o papel do CIO”. O momento foi conduzido por Paulo Moraes e Alexandre Benedetti, representantes da LANDtech, empresa especializada no recrutamento de profissionais de tecnologia e do universo digital.

Por terem contato diário com empregadores e candidatos, ambos têm uma visão bastante precisa do perfil de CIO buscado por companhias digitalmente maduras. Segundo eles, espera-se que o líder de TI da atualidade opere simultaneamente como:

1) Estrategista de Negócio
Longe de ser apenas um executor de pedidos, o CIO Estrategista de Negócio participa de reuniões com os conselhos e a diretoria, discute P&L, investimentos e ROI. Também é chamado para discussões relacionadas a produtos e novas linhas de receita. Ou seja, se envolve em temas que, de alguma forma, vão gerar algum valor para o negócio.
2) Arquiteto de IA e Dados
É o profissional que lidera a estratégia de inteligência artificial, monetiza dados e identifica novas oportunidades de negócios digitais. Por meio desse modelo de atuação, esse CIO tem mais recursos para definir o que a empresa, de maneira geral, vai ser como produto. Faz isso com base em dados de qualidade que gerem negócio e alavanquem a estratégia e os resultados da organização.
3) Agente de Transformação
Para implementar inovação e tecnologia, é fundamental que o CIO atue como um agente de transformação da cultura corporativa. Isso é importante porque, hoje, muitas equipes demonstram medo, resistência e desconfiança com relação aos avanços tecnológicos. Algumas pessoas resistem a usar IA ou participar de projetos por receio de serem substituídas por máquinas. Se o mindset não muda, fica difícil transformar ou, pelo menos, evoluir na velocidade necessária para acompanhar o ritmo do mercado.

O papel do CIO em transformação

Paulo Moreira e Alexandre Benedetti durante sessão do Eatech Conference 2026. Foto: Flashbang

Na visão dos dois executivos, é fundamental que a pessoa que ocupa o cargo de CIO saiba falar a linguagem do negócio. E não apenas isso. É essencial que saiba se comunicar com as demais lideranças da organização. “Estamos falando da oportunidade que os líderes de TI têm de se posicionar e demonstrar o seu valor. Reconheço que não é algo simples, mas é necessário para a longevidade na carreira. Na prática, significa entender quem você é e quais são suas capacidades”, explicou Benedetti.

Com base nessa proposta de autorreflexão, ele apresentou aos participantes cinco perguntas, que nós reproduzimos a seguir. Se você é líder de tecnologia, esses questionamentos podem ser úteis para que você faça suas próprias reflexões:
a) Na sua empresa, a área de tecnologia é vista como um centro de custos ou como um motor de crescimento?
b) Se o CEO da sua companhia avaliasse os últimos três anos de investimentos em TI, quantos projetos ele diria que realmente geram valor para o negócio, não apenas para a área de tecnologia?
c) Olhando para o futuro, quais iniciativas de tecnologia têm maior potencial de gerar valor real para a empresa?
d) Se você tivesse que explicar para alguém a operação da sua área e o valor que ela tem para a companhia, sem usar termos técnicos nem falar de projetos, o que diria? Seria capaz de construir um discurso citando receita, margem ou vantagem competitiva?
e) Considerando seu perfil profissional atual e o que o mercado busca, quais seriam as suas chances de contratação em uma nova organização?

Antes de encerrar o momento de troca, Benedetti destacou uma informação que, certamente, renderia uma nova rodada de conversa. Ele disse: “em um passado distante, o CEO costumava vir prioritariamente da cadeira de operações. Em 2000, profissionais de finanças começaram a ser promovidos ao cargo. Agora, já começamos a ver muitos CIOs se tornando elegíveis à posição. Nem todos precisam almejar essa trajetória, mas a possibilidade existe para quem a desejar”.

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