Guilherme Cunha, do Banco Mundial. Foto: Divulgação

A trajetória do brasileiro Guilherme Cunha no Banco Mundial ganhou novos contornos ao unir rigor metodológico e avanço tecnológico em um momento em que a inteligência artificial já é tratada como pauta urgente nas grandes organizações. Formado em Ciências Políticas e com mestrado em Administração Pública, ele migrou da análise de políticas para o desenvolvimento de soluções de IA, movido pela necessidade crescente de acelerar pesquisas sem abrir mão de transparência, confiabilidade e rastreabilidade, pilares essenciais para a instituição.

O ponto de virada surgiu quando modelos generativos, apesar de avançados, ainda não atendiam ao nível de precisão exigido pelo Banco Mundial. Foi nesse cenário que Cunha assumiu a missão de criar um pipeline capaz de produzir estudos complexos com maior rigor do que ferramentas comerciais. Em nota, ele revela que “a maioria das pessoas que hoje trabalham com IA vêm de carreiras técnicas. Eu percorri o caminho oposto”.

Precisão na geração de pesquisas

A solução, construída ao longo de mais de um ano, parte da arquitetura RAG (Retrieval Augmented Generation) e incorpora dois módulos inéditos de auditoria e correção automática de citações, desenvolvidos do zero. Na prática, o sistema processa centenas de documentos (relatórios, artigos e livros) para gerar pesquisas robustas e verificadas, comparando cada citação ao texto-fonte para eliminar imprecisões e alucinações. A inovação ganhou força ao apresentar mais de 90% de acurácia em testes comparativos, superando plataformas como Deep Research (GPT) e Elicit, que operaram entre 70% e 80%.

O projeto também marca a virada técnica de Cunha, que se tornou fluente em programação utilizando modelos de IA como ferramenta intensiva de aprendizado. Hoje, ele conduz um dos pipelines mais rigorosos já implementados em uma organização internacional, unindo domínio analítico, conhecimento regulatório e capacidade de adaptação tecnológica.

“Consegui unir minha formação em políticas públicas com profundo conhecimento sobre regulação e produção de evidências ao universo da IA, criando um produto que interessa não apenas a instituições multilaterais, mas também a setores altamente regulados, como biofarmacêuticas, energia e empresas sujeitas a compliance federal rigoroso”, explica Cunha.

A entrega final, prestes a ser apresentada ao Banco Mundial, movimenta discussões sobre governança de IA e abre caminho para aplicações nos setores que tem elevada regulação. Cunha já planeja uma versão customizada da solução para o mercado privado, voltada a regulatory intelligence.

Sem comentários registrados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *