Se ao longo de 2025 a palavra agente esteve em alta nas discussões sobre inteligência artificial, em 2026 a palavra de ordem deve ser governança, e não à toa. Ao longo de 2025, ainda se viu muita iniciativa de IA ocorrer sem um planejamento adequado, afora a falta de regras que permitiu em muitas empresas a abertura de brechas em segurança da informação. Isso não significa que os agentes sumirão ou serão diminuídos: a aposta para 2026 é que haverá um entendimento melhor do que de fato é agentic AI e como melhor extrair seus benefícios. Esses e outros tópicos estão no Predictions 2026 da Dell Technologies.

John Roese, CTO global da Dell Technologies

Da apresentação feita pela fabricante, governança é, sem dúvidas, um dos pontos mais importantes. Como lembrou John Roese, CTO global e chefe de IA da Dell, é preciso olhar a governanças em duas camadas. A primeira delas é a externa, onde há regulamentação avançando em diversos países e os CIOs precisam rapidamente adaptar seus negócios para essas regras. O executivo ressaltou que se trata de um ponto de atenção importante já que não existe uma coordenação entre os países, logo, podem emergir legislações muito diferentes e as empresas precisarão lidar com essa complexidade. 

A outra camada é a governança interna, também de extrema importância e que, silenciosamente, já vinha em crescimento ao longo de 2025, seja pela necessidade de homologar as ferramentas e determinar regras para seu uso e impedir, por exemplo, vazamento de informações; seja pelo uso indiscriminado das IAs individuais para fins profissionais que pode, inclusive, servir de brecha em segurança e vazamento de informação.

“Eu falo de governança como a palavra do ano pela escala que IA está ganhando”, comentou Roese, ao apresentar as tendências. “Em 2025, muita gente ainda apostou em IA sem plano, e entendemos que funciona melhor com regras e políticas”, completou.

Transparência

O presidente da Dell Latam, Luis Gonçalves, reforçou que essa preocupação tem crescido e algumas empresas têm liderado essa conversa. “As empresas querem protagonismo no estabelecimento da governança, na maneira como IA é implantada”, lembrou, trazendo, inclusive, aspectos relacionados à auditoria e às questões de sustentabilidade no uso da ferramenta.

Luis Gonçalves, presidente da Dell Technologies Latam

Questionado sobre o tema da transparência, que também desponta como tópico forte para o próximo ano, o CTO global da Dell explicou que o tema está totalmente relacionado à governança e é elemento chave nas previsões. O executivo entende que um framework robusto de governança será inevitável, até para criação de ambientes estáveis e controlados que possam proteger as organizações de rupturas externas. 

Nesse sentido, “transparência será um ponto fundamental nos esforços de governança, já que está relacionada à confiança, responsabilidade e clareza na forma com os sistemas de inteligência artificial operam. Isso facilita a adoção de IA de maneira responsável pelo negócio”, avaliou Roese.

Mergulho nos agentes

Voltando aos agentes de IA, como dissemos na abertura do texto, eles dominaram o debate ao longo de 2025 e seguirão importantes em 2026, mas com uma diferença: os profissionais devem passar a usar esses softwares em todo seu potencial. Roese entende que as pessoas passarão a utilizar não apenas como automação simples, mas como um assistente real, um par no trabalho ou mesmo aplicando essa tecnologia para coordenar equipes. O fato é que até aqui muita confusão se fez com a nomenclatura agente e muito chatbot foi chamado de agente sem ser. 

“O pensamento atual sobre um agente não é suficiente, ele se tornará mais complexo. Não pense nele como ferramenta, mas como um par, como um coordenador de equipes, como algo que pode automatizar todo o trabalho. Teremos uma gama muito maior de uso e aplicação, o apetite será maior por conta da força dos agentes e da sofisticação do seu uso para automatizar muitas tarefas da vida pessoal ao mundo corporativo”, refletiu o CTO.

Soberania

Outro ponto que esteve em evidência ao longo de 2025 e deve ganhar novos contornos no próximo ano é a soberania digital e diversos governos já iniciaram essa corrida, com jornadas para construção de infraestruturas nacionais. Diversos países têm encarado o fato como um pilar estratégico, especialmente, diante do potencial que IA tem demonstrado. Temos assistido a uma série de debates do ponto de vista geopolítico em torno da IA, o que garante relevância ainda maior ao tema. A visão é de que, muito mais que data centers que rodem IAs, essas estruturas nacionais devem ser utilizadas como laboratórios para acelerar inovação em setores diversos incluindo saúde e serviços públicos.

Como lembrou o presidente da Dell para América Latina, a corrida não envolve apenas países europeus ou China e Estados Unidos. Na região, existem iniciativas em El Salvador, Colômbia, Argentina e Brasil. “Os governos entenderam a necessidade de compreender e regular o modo como essas tecnologias operam”, pontuou o executivo.

As previsões da Dell para 2026 ainda trataram da gestão de dados, com destaque para o avanço das arquiteturas de TI. Se o foco inicial em IA estava no processamento, essa luz vai cada vez mais para gestão e uso de dados de forma ainda mais inteligente. Para o CTO, mesmo empresas que contam com aplicações como CRM, ERP, entre outras, precisam pensar em como estruturar a informação de forma que ela possa ser mais bem aproveitada pelos sistemas de IA. A empresa trouxe também os remas resiliência e recuperação de dados, principalmente diante das falhes a partir do uso de AI Factory. Como lembrou Gonçalves, não se trata apenas de um hardware, mas de uma plataforma com sistemas avançados para lidar com essas tarefas.

Sem comentários registrados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *