
O Veículo Definido por Software (SDV) está sem tornando uma realidade na indústria automotiva. Na CES 2026 a ZF apresentou avanços com um chassi que atua como uma plataforma digital inteligente, capaz de combinar hardware, software e inteligência artificial para ampliar segurança, conforto e personalização. A iniciativa faz parte da estratégia Chassis 2.0, que vem ganhando força como base para novas arquiteturas veiculares.
A aposta da ZF se ancora em tecnologias “by-wire” que eliminam conexões mecânicas tradicionais e abrem espaço para funcionalidades definidas por software. A partir desse conceito, a empresa introduziu a Leitura Inteligente da Via por IA e Redução Ativa de Ruído, ambos projetados para transformar o comportamento do chassi em tempo real. Em nota o Dr. Peter Holdmann, Head da Divisão de Soluções para Chassis da ZF, explicou que “ao combinar expertise em hardware, software avançado e IA, estamos criando soluções que não apenas elevam a segurança e o conforto a um novo patamar, mas também abrem caminho para o veículo definido por software. Dessa forma, estamos moldando a mobilidade do futuro – inteligente, conectada e individualmente adaptável”.
IA para antecipar a estrada

A Leitura Inteligente da Via por IA utiliza sensores avançados para interpretar continuamente as condições da estrada (neve, cascalho, asfalto ou terrenos off-road) e ajustar o chassi em frações de segundo. Os dados são processados pelo software cubiX, que coordena atuadores inteligentes, como sistema de amortecimento ativo sMOTION, capaz de reagir em apenas 1 milissegundo. A configuração mais avançada é capaz de escanear o perfil da estrada até 25 metros à frente, com precisão de dois centímetros, criando um modelo 3D detalhado para ajustes ainda mais precisos do chassi.
Em situações críticas, o software atua de forma autônoma. Em pisos escorregadios, ativa automaticamente a redução do torque inicial para evitar patinação. No off-road, a IA avalia profundidade e firmeza do solo e ajusta a tração integral de forma inteligente. Tudo ocorre em segundo plano, sem exigir seleção manual de modos de condução.
Outro avanço é a possibilidade de reconhecimento do comportamento do condutor. A partir da análise de aceleração, frenagem, direção e condições ambientais, o sistema pode prever preferências de condução e adaptar o chassi e o trem de força para priorizar conforto ou desempenho. A funcionalidade amplia a experiência personalizada e o potencial de diferenciação entre marcas.
Menos ruído, mais software
A segunda inovação apresentada foi o software de Redução Ativa de Ruído, uma resposta para o desafio crescente, especialmente em veículos elétricos: o ruído de cavidade dos pneus. A solução dispensa materiais adicionais de isolamento e utiliza sensores de chassi, além de amortecedores semiativos controlados pelo cubiX, para neutralizar vibrações.
Os testes indicam redução de até 3 decibéis no estágio atual, com potencial de chegar a 10 decibéis no futuro. A tecnologia deve entrar em produção em série em 2028 e poderá ser adaptada a diferentes categorias de veículos. Holdmann adiciona que “a mobilidade do futuro será moldada pela rede inteligente dos veículos, pelo rápido desenvolvimento da direção automatizada e pela crescente importância do software como motor de inovação”.






Sem comentários registrados