Conferência Ethos 2025

A inteligência artificial deixou de ser promessa para se tornar motor de transformação econômica e social, desde que sua aplicação seja estratégica, ética e inclusiva. Esse foi o tom do painel sobre IA na Conferência Ethos, trazendo esta tecnologia como o centro para a transformação das empresas e da sociedade.

Para Regina Magalhães, consultora independente em IA e sustentabilidade, temos a inteligência artificial como uma tecnologia de uso geral comparável à chegada da energia elétrica e todas as oportunidades e transformações que se sucederam em sua decorrência. “O potencial não é nos chats, mas como internet das coisas, blockchain, robótica. Um potencial de transformação econômica, de negócios e de relações sociais”, disse. Segundo ela, o Brasil pode usar a IA para reduzir seu gap em relação a outras economias, mas isso exige visão estratégica e integração com outras tecnologias. Entre os setores mais avançados no Brasil, o financeiro lidera, seguido por áreas como saúde e educação.

A inteligência artificial servindo como um bem público foi ponto abordado por Gabriela Agustini, Fundadora e codiretora executiva do Olabi, que alertou: “devemos aproveitar o potencial para criar mais oportunidades, e não ser só consumidores do que foi criado em outros culturas”. Ela defendeu que precisamos incluir a população, ampliar representatividade, criar tecnologias alinhadas à realidade local e promover o letramento digital. Caso contrário, corremos o risco de automatizar opressões com base de dados viciadas e com viéses.

Transformação do trabalho

O impacto da IA no mercado de trabalho é usualmente abordado quando se fala no tema, algumas funções vão desaparecer, outras vão surgir. A questão é como usar a IA para gerar novas oportunidades e reduzir desigualdades.

Entre os riscos da IA comentados por Regina, o principal é não usar a tecnologia, o que pode levar profissionais e empresas a ficarem ultrapassados. Também foi citado o consumo energético crescente dos data centers e a cibersegurança. Hoje, segundo a Agência Internacional de Energia, data centers consomem 2% da energia global, com tendência a dobrar nos próximos cinco anos. A solução destacada por Regina passa por ampliar a quantidade de data centers no Brasil que usam energia limpa.

Entre os exemplos trazidos pelos painelistas foi a hiperpersonalização da IA, que já é bastante utilizada no setor financeiro e agora também na educação, como no estado do Paraná que já tem cerca de 500 mil alunos usando uma ferramenta. Gabriela destacou que o letramento digital não pode ser só técnico, precisa estar no dia a dia das pessoas e ser pauta conjunta do setor público e privado.

Ponto em comum na conversa foi a maturidade da IA no Brasil, que dependerá da capacidade de líderes, tanto em empresas como no governo, de incorporá-la como eixo estratégico, garantindo que inovação caminhe junto com ética, inclusão e impacto social positivo.

Sem comentários registrados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *