Conferência Ethos 2025

A transição energética no Brasil não é apenas uma pauta ambiental, mas também um desafio econômico, social e regulatório que precisa ser tratado de forma integrada. Especialistas reunidos na Conferência Ethos 2025 destacaram que o País tem potencial para ser protagonista global em energia limpa, mas precisa avançar em competitividade, governança e inclusão.

A transformação do setor vai além da redução de emissões, envolve repensar modelos de negócios e cadeias de valor. No campo acadêmico, Annelise Vendramini, professora e pesquisadora da FGV EAESP, destacou o papel da formação profissional. A instituição, por exemplo, tornou obrigatória a disciplina de sustentabilidade no curso de Administração. Ela abordou que temos pesquisa de qualidade, mas o desafio está na educação, na preparação de profissionais para atuar na transição e com esta visão para o futuro.

Daniel Martins, sócio e líder de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC Brasil, deixou em evidência que o mercado de carbono será parte central da solução para uma transição energética justa. Uma pesquisa da PwC projeta movimentação de US$ 30 bilhões em 5 cinco anos no mercado de carbono. Este sendo um dos maiores desafios para os próximos anos, ele afirma que precisamos agir na sociedade como um todo, começando pela educação.

Geração distribuída ganha espaço

O setor elétrico brasileiro já passou por mudanças significativas, como a geração eólica, que não era levada a sério e hoje responde por 25% da matriz. Atualmente, de 80% a 85% da matriz brasileira vem de fontes renováveis. Hoje os consumidores estão cada vez mais atentos não apenas ao preço, mas também à origem da energia. A geração distribuída, assunto trazido por Pedro Kurbhi, Vice-presidente de Trading e Comercial da Comerc Energia, pode ampliar o acesso e a competitividade para pequenos consumidores.

Atualmente o mercado de geração distribuída tem em torno de 60 mil clientes, que consomem 50% da energia do Brasil. Há oportunidade para mais de 80 milhões de consumidores (residenciais e pequenas/médias empresas) ingressarem. Porém, a questão do financiamento (das geradoras/distribuidoras) é tido como ponto sensível para atender a esta demanda. Segundo Annelise, projetos precisam de governança robusta, impacto comprovado e clareza nos resultados. O financiamento para a transição energética é complexo e os recursos públicos são escassos, nas principais economias do mundo.

Apesar de ter uma matriz mais limpa que a maioria dos países, o Brasil ainda perde em competitividade energética. Com potencial para se posicionar como líder em biocombustíveis, energia limpa e mercado de carbono, o país ainda precisa resolver questões de legislação e encargos para aproveitar essa vantagem competitiva.

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