Foto: Tumisu/Pixabay

A evolução da inteligência artificial avança para uma fase mais integrada e orientada a resultados concretos, com impactos diretos sobre infraestrutura urbana, operações industriais e serviços essenciais. O estudo “Tech Trends 2026”, da Globant, aponta que a chamada inteligência ambiental (sistemas capazes de interpretar contexto e agir de forma autônoma) tende a sair do estágio experimental e ganhar escala até 2028, especialmente em ambientes como hospitais, fábricas, arenas esportivas e cidades inteligentes.

O movimento é sustentado pela combinação de sensores conectados, computação de borda e modelos preditivos, que ampliam a capacidade de resposta em tempo real. A projeção é de que o mercado de computação ambiental alcance US$ 352,7 bilhões até 2033, enquanto soluções diretamente ligadas à inteligência ambiental cheguem a US$ 182 bilhões até 2032. Na prática, esses sistemas reorganizam fluxos urbanos e operacionais, como já demonstrado em iniciativas de mobilidade inteligente que reduziram congestionamentos e tempos de espera em centros urbanos.

Esse avanço tecnológico também redefine a experiência em ambientes físicos. Aplicações incluem desde reconhecimento facial e pagamentos automatizados em estádios até sistemas hospitalares que antecipam demandas clínicas. A lógica é tornar a tecnologia menos visível e mais responsiva, integrando-se ao cotidiano sem fricção e ampliando eficiência operacional.

Governança e salto quântico definirão liderança empresarial

No campo corporativo, a adoção de agentes de IA ganha força na produtividade e retorno financeiro. Embora cerca de 75% das empresas já testem essas soluções, apenas uma parcela ainda limitada implementa sistemas totalmente autônomos. O desafio passa a ser estruturar governança, conformidade e métricas claras de ROI, transformando experimentação em valor mensurável.

Paralelamente, a convergência entre inteligência artificial e computação quântica começa a ganhar tração. O avanço de redes de comunicação quântica e da criptografia pós-quântica indica uma transição relevante na arquitetura de segurança digital. A expectativa é que, até o fim da década, o acesso a recursos quânticos seja amplamente ofertado via plataformas como serviço, acelerando aplicações comerciais e científicas.

Em nota, Dario Robak, Diretor de Computação Quântica da Globant, destacou que “a tecnologia quântica está a poucos anos de remodelar a forma como as empresas operam. As empresas que começarem a desenvolver competências quânticas hoje liderarão a próxima onda de inovação, enquanto aquelas que esperarem correm o risco de repetir os erros dispendiosos da corrida pela IA”.

Robótica inteligente em crescimento

A automação também evolui com a chegada de robôs multifuncionais equipados com IA, sensores e gêmeos digitais. Esses sistemas aprendem em ambientes simulados antes de operar no mundo real, reduzindo riscos e aumentando eficiência. O mercado global de robótica deve crescer de forma consistente na próxima década, com previsão de interação cotidiana entre humanos e máquinas em larga escala até 2030.

Com toda essa evolução, a cibersegurança assume um papel dos mais importantes. O relatório indica que o custo global do cibercrime pode atingir US$ 24 trilhões até 2027, impulsionado por ataques cada vez mais sofisticados, que utilizam IA para automatizar exploração de vulnerabilidades e criar ameaças como deepfakes e malwares personalizados. A resposta, segundo o estudo, exige adoção intensiva de inteligência artificial também na defesa, migrando de modelos reativos para estratégias preditivas.

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