Christiane Edington, Domingos Bruno, Lucia Almeida e Sergio Alexandre Simões
Da esquerda para direita: Christiane Edington, Domingos Bruno, Lucia Almeida e Sergio Alexandre Simões.

Existe um movimento interessante no mercado de CIOs que buscam oportunidades como conselheiros. Trata-se de uma virada importante, já que envolve pensar e se comunicar de maneira diferente. Se na liderança de tecnologia o papel é de defesa, construção de alianças e se desafio em pensar tecnologia e estratégia juntas, no conselho, os desafios são outros. 

Conversamos com 4 executivos com ampla experiência no mundo de tecnologia e com atuação em conselho. A partir das conversas, separamos algumas dicas importantes para quem quer apostar nessa jornada. O trabalho é árduo, pode não ser para todos que desejam, mas para quem fez essa mudança, parece existir uma satisfação em exercer esse papel. 

Confira abaixo 5 dicas extraídas de entrevistas com Christiane Edington, ex-CIO e conselheira de grandes empresas, Domingo Bruno, ex-CIO e também conselheiro, Lúcia Almeida, conselheira e CIO, e Sérgio Alexandre Simões, presidente de conselho e sênior advisor da EXEC. 

1 – Mudança de mentalidade

Talvez um dos principais desafios nessa transição de carreira seja a mudança de mentalidade de liderança executiva para conselheiro, já que você não está ali para colocar uma estratégia em prática, mas questioná-la e entender se aquilo fará diferença para o negócio. “Quando somos executivos, somos condicionados a agir e resolver problemas. Quando está na linha de combate, quer problemas para combater e tem uma adrenalina que é viciante. Então, a primeira grande lição é mudar o mindset. O papel no conselho é questionar, perguntar. É um papel de orientar e não se meter no dia a dia”, comenta Domingos Bruno. 

2 – Conheça do negócio

Há temos se discute o papel do CIO enquanto liderança e a necessidade de conhecer bem o negócio e conectar tecnologia com estratégia. No papel de conselheiro, conhecer o negócio é mais fundamental ainda, na visão de Christiane Edington. Mas diferente da cadeira do CIO, normalmente, um conselheiro está em mais de uma empresa e, frequentemente, em segmentos diferentes, o que torna o desafio de conhecer o negócio mais amplo. “Hoje você está no varejo de moda, amanhã farmacêutico, no outro dia em uma empresa de telecom. Então, tem um conhecimento de negócio que te desafia. E tem outras disciplinas, que não só tecnologia, e que você precisa conseguir opinar”, explica.

3 – Equilíbrio entre tech e governança

Sérgio Alexandre Simões além de ser conselheiro também busca profissionais para compor conselhos. Quando a busca é por alguém que possa contribuir com a pauta de tecnologia, ele afirma que procura por profissionais que combinem profundidade tecnológica com visão estratégica e maturidade de governança. “É fundamental compreender transformação empresarial, gestão de riscos, inovação, cibersegurança, dados e impacto financeiro.”

4 – Exercite a capacidade de influenciar

Pode parecer básico, mas muitos executivos exercitam pouco a capacidade de influenciar outras pessoas além da sua própria equipe. E isso é fundamental para quem busca por uma jornada que ultrapasse os domínios do seu departamento. No caso de TI, ainda hoje é bastante comum falhas em comunicação e baixo uso do capital social, dois aspectos importantes no exercício da influência. Domingo Bruno, entende que é preciso uma atuação política, nesse sentido relacional. “Conseguir exercer influência é necessário (como CIO) e segue no conselho. Essa fricção positiva, encontrar problema e trazer perspectivas para mesa, não é para ficar quieto.”

Sérgio Alexandre Simões também valoriza o aspecto da influência ao avaliar possíveis perfis para conselheiros e lista outras habilidades importantes. “Os melhores perfis são aqueles capazes de integrar tecnologia à estratégia corporativa, traduzindo complexidade em decisões práticas para acionistas e liderança. Também valorizo competências comportamentais: capacidade de influência, visão sistêmica, equilíbrio político e habilidade de contribuir em ambientes de alta complexidade decisória. O conselheiro ideal é aquele que ajuda o board a usar tecnologia não apenas para proteger o presente, mas para construir o futuro da organização.”

5 – Aprendizagem Contínua

Como falamos no início do texto, fazer a virada de executivo a conselheiro não é algo trivial. Envolve trabalhar uma série de habilidades e estudar bem os negócios das empresas onde você venha a exercer o papel de conselheiro. Além disso, um aspecto fundamental como traz a CIO e conselheira Lucia Almeira é a atualização constante, seja em temas tecnológicos, seja em gestão. “Muitos dos executivos não estão preparados, não entendem riscos de governança e da perenidade do negócio”, comentou a executiva. Ela reforçou durante a conversa que a velocidade de mudança e as quebras de paradigmas trazidas por IA forçam ainda mais essa busca por conhecimento para tentar apoiar as decisões estratégicas da melhor maneira possível. “Precisamos equilibras o curto e o longo prazos, com profundidade mesmo com pouco tempo que temos.”

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